5 Coment√°rios

70 ANOS DA DECLARA√á√ÉO UNIVERSAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DA PESSOA HUMANA

Relatório ANTRA

ASSASSINATOS E VIOLÊNCIA CONTRA PESSOAS TRANS EM 2019

Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas travestis e transexuais no Mundo.

Dossiê online: ANTRABRASIL.ORG

___________

ATAQUE¬†EXPL√ćCITO DE¬†RACISMO TRANSF√ďBICO EM MACEI√ď/AL

TODA APOIO E SOLIDARIEDADE A ūĚźčūĚźÄūĚźćūĚźćūĚźÄ ūĚźáūĚźĄūĚźčūĚźčūĚźĄūĚźć, V√ćTIMA DE EXPL√ćCITO ¬†ATAQUE RACISTA TRANSF√ďBICO EM SHOPPING DE MACEI√ď/AL

______

Rep√ļdio ūĚźö ūĚźĘūĚźßūĚźüūĚźěūĚź•ūĚźĘūĚź≥ ūĚźßūĚź®ūĚź≠ūĚźö ūĚź©ūĚźģŐĀūĚźõūĚź•ūĚźĘūĚźúūĚźö pelo ūĚźÜūĚźęūĚźģūĚź©ūĚź® ūĚźÜūĚźöūĚź≤ ūĚźĚūĚźě ūĚźÄūĚź•ūĚźöūĚź†ūĚź®ūĚźöūĚź¨ ūĚź¨ūĚź®ūĚźõūĚźęūĚźě ūĚźö ūĚźĮūĚźĘūĚź®ūĚź•ūĚźěŐāūĚźßūĚźúūĚźĘūĚźö ūĚź≠ūĚźęūĚźöūĚźßūĚź¨ūĚźüūĚź®ŐĀūĚźõūĚźĘūĚźúūĚźö ūĚź©ūĚźęūĚźöūĚź≠ūĚźĘūĚźúūĚźöūĚźĚūĚźö ūĚź©ūĚźěūĚź•ūĚź® ūĚźíūĚź°ūĚź®ūĚź©ūĚź©ūĚźĘūĚźßūĚź† ūĚźŹūĚźöŐĀūĚź≠ūĚźĘūĚź® ūĚźĆūĚźöūĚźúūĚźěūĚźĘūĚź®ŐĀ ūĚźúūĚź®ūĚźßūĚź≠ūĚźęūĚźö ūĚźčūĚźöūĚźßūĚźßūĚźö ūĚźáūĚźěūĚź•ūĚź•ūĚźěūĚźß.

A imagem pode conter: texto

arco-iris

OMISSÃO DO ESTADO BRASILEIRO

EM RELAÇÃO A DEFESA DA POPULAÇÃO LGBTI 

O atual governo Brasileiro est√° alinhado a ideologias fundamentalistas e conservadoras especialmente no tocante a direitos da popula√ß√£o LGBTI e pautas de g√™nero. O que fica evidente no texto de vota√ß√£o na ONU, no qual invisibilizou temas importantes como as viol√™ncias de g√™nero, o respeito √† identidade e orienta√ß√£o sexual, assim como direitos sexuais e reprodutivos, enfrentamento √† tortura, genoc√≠dio da juventude negra e o enfrentamento do machismo e da intoler√Ęncia religiosa. Ferindo pautas fundamentais em Direitos Humanos e para a popula√ß√£o brasileira, manipulando a opini√£o p√ļblica ao assinar um compromisso, sem se comprometer com sua execu√ß√£o. O texto ainda n√£o faz men√ß√£o a a√ß√Ķes afirmativas para garantir a inclus√£o, o respeito e a dignidade das LGBT junto √† sociedade tampouco fala de qualquer pol√≠tica espec√≠fica para o grupo.

Leia a nota completa da ANTRA

ANTRA

___________________________

Sheila Baum

________________________

 

III¬į Semin√°rio Velhices LGBT:

resistência, superação e um legado de esperança

Histórias de resistência

_________ 

Dudu e Flávio: 22 anos juntos e mais fortalecidos após violência homofóbica

Vítimas da homofobia, Eduardo Michels e Flávio, ambos com 62 anos, foram agredidos por vizinhos, em 2017. Hoje, casal celebra o amor e conta como vem vencendo traumas (por Yuri Fernandes Рprojeto colabora)

_____

 

UN Human Rights

Tratamento justo e prote√ß√£o contra viol√™ncia e abuso s√£o coisas que muitos de n√≥s tomamos como certo. Entretanto, para milh√Ķes de l√©sbicas, gays, bissexuais, pessoas trans, travestis e intersexuais (LGBTI), a justi√ßa est√° longe de ser uma garantia. Globalmente, muitos pa√≠ses mant√™m leis ultrapassadas ou repressoras, engatinhando em dire√ß√£o ao progresso pela igualdade LGBTI ou propositadamente rejeitando esses avan√ßos.
Por isso, ser LGBTI frequentemente significa esconder quem voc√™ √© ou correr risco de sofrer rejei√ß√£o, discrimina√ß√£o e viol√™ncia. Em alguns pa√≠ses, isso se traduz em deten√ß√Ķes, senten√ßas de priva√ß√£o de liberdade ou, at√© mesmo, a pena de morte. Reformas legislativas s√£o urgentemente necess√°rias para proteger pessoas de atos de injusti√ßa e abuso, bem como responsabilizar os perpetradores dessas viola√ß√Ķes.
Progressos efetivos t√™m sido alcan√ßados na luta pela igualdade, mas ainda h√° muito a ser feito. √Č por isso que √© t√£o importante expressar o nosso apoio pela igualdade LGBTI e mostrar a governos em todo o mundo que seus cidad√£os e suas cidad√£s n√£o apoiam qualquer forma de repress√£o ou abuso.
√Č hora de intensificar os esfor√ßos globais pela igualdade. Junte-se √† ONU na reivindica√ß√£o por justi√ßa e prote√ß√£o para todas as pessoas, n√£o importa quem sejam ou quem amem.

______

ūüŹ≥ÔłŹ‚ÄćūüĆą¬†A partir de agora, a discrimina√ß√£o contra a comunidade LGBT+ passa a ser enquadrada na lei de racismo. O Plen√°rio do Supremo Tribunal Federal aprovou a tese proposta pelo relator ministro Celso de Mello na A√ß√£o Direta de Inconstitucionalidade por Omiss√£o (ODO) por unanimidade. Enquanto o Congresso Nacional n√£o editar lei espec√≠fica sobre o tema, as condutas homof√≥bicas e transf√≥bicas se enquadram nos crimes previstos na Lei 7.716/1989, que trata do preconceito de ra√ßa e¬†cor. E, no caso de homic√≠dio doloso (intencional), constitui circunst√Ęncia que o qualifica, por configurar motivo torpe.

A tese aprovada pelo STF prevê, ainda, que a repressão penal à prática da homotransfobia não atinge a liberdade religiosa, desde que não se adotem discursos de ódio. Também estabelece que o conceito de racismo ultrapassa aspectos estritamente biológicos ou da aparência e alcança a negação da dignidade e da humanidade de grupos vulneráveis. Saiba mais sobre a decisão: http://bit.ly/HomofobiaCrime

Descri√ß√£o da imagem¬†#PraCegoVer¬†e¬†#PraTodosVerem: imagem de uma parede nas cores da bandeira LGBT+. Texto: √Č crime. Discrimina√ß√£o contra pessoas homossexuais e transexuais ser√£o enquadradas na lei de racismo. Decis√£o do STF. CNJ

62545737_2863654433707298_9097917541082202112_n________

STF: HOMOTRANSFOBIA √Č CRIME DE RACISMO !!

STF – S√ļmula da decis√£o na √≠ntegra:

ADO 26/DF

1. At√© que sobrevenha lei emanada do Congresso Nacional destinada a implementar os mandados de criminaliza√ß√£o definidos nos incisos XLI e XLII do art. 5¬ļ da Constitui√ß√£o da Rep√ļblica, as condutas homof√≥bicas e transf√≥bicas, reais ou supostas, que envolvem avers√£o odiosa √† orienta√ß√£o sexual ou √† identidade de g√™nero de algu√©m, por traduzirem express√Ķes de racismo, compreendido este em sua dimens√£o social, ajustam-se, por identidade de raz√£o e mediante adequa√ß√£o t√≠pica, aos preceitos prim√°rios de incrimina√ß√£o definidos na Lei n¬ļ 7.716, de 08/01/1989, constituindo, tamb√©m, na hip√≥tese de homic√≠dio doloso, circunst√Ęncia que o qualifica, por configurar motivo torpe (C√≥digo Penal, art. 121, ¬ß 2¬ļ, I, ‚Äúin fine‚ÄĚ);

2. A repress√£o penal √† pr√°tica da homotransfobia n√£o alcan√ßa nem restringe ou limita o exerc√≠cio da liberdade religiosa, qualquer que seja a denomina√ß√£o confessional professada, a cujos fi√©is e ministros (sacerdotes, pastores, rabinos, mul√°s ou cl√©rigos mu√ßulmanos e l√≠deres ou celebrantes das religi√Ķes afro-brasileiras, entre outros) √© assegurado o direito de pregar e de divulgar, livremente, pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, o seu pensamento e de externar suas convic√ß√Ķes de acordo com o que se contiver em seus livros e c√≥digos sagrados, bem assim o de ensinar segundo sua orienta√ß√£o doutrin√°ria e/ou teol√≥gica, podendo buscar e conquistar pros√©litos e praticar os atos de culto e respectiva liturgia, independentemente do espa√ßo, p√ļblico ou privado, de sua atua√ß√£o individual ou coletiva, desde que tais manifesta√ß√Ķes n√£o configurem discurso de √≥dio, assim entendidas aquelas exterioriza√ß√Ķes que incitem a discrimina√ß√£o, a hostilidade ou a viol√™ncia contra pessoas em raz√£o de sua orienta√ß√£o sexual ou de sua identidade de g√™nero;

3. O conceito de racismo, compreendido em sua dimensão social, projeta-se para além de aspectos estritamente biológicos ou fenotípicos, pois resulta, enquanto manifestação de poder, de uma construção de índole histórico-cultural motivada pelo objetivo de justificar a desigualdade e destinada ao controle ideológico, à dominação política, à subjugação social e à negação da alteridade, da dignidade e da humanidade daqueles que, por integrarem grupo vulnerável (LGBTI+) e por não pertencerem ao estamento que detém posição de hegemonia em uma dada estrutura social, são considerados estranhos e diferentes, degradados à condição de marginais do ordenamento jurídico, expostos, em consequência de odiosa inferiorização e de perversa estigmatização, a uma injusta e lesiva situação de exclusão do sistema geral de proteção do direito.

____________

‚ÄúEmbora muitos l√≠deres religiosos estejam tentando virar o jogo, apelando por uma abordagem mais inclusiva, que se preocupe com as pessoas LGBTI como todas as outras, suas vozes s√£o abafadas muito frequentemente por lideran√ßas mais populistas‚ÄĚ, lamentou o dirigente.

LGBTFOBIA √Č CRIME DE RACISMO

CONTRA A HUMANIDADE !!

NEGAR A CRIMINALIZA√á√ÉO DA HOMOFOBIA √Č INSTITUCIONALIZAR A PROPAGANDA HOMOF√ďBICA. NENHUMA LEGISLA√á√ÉO PODE ATENDER MENOS DO QUE O STF MANIFESTAR√Ā AO T√ČRMINO DA VOTA√á√ÉO! TODOS OS LGBTS ASSASSINADOS NO BRASIL, EST√ÉO DO TUMULO A GRITAR POR JUSTI√áA!! BRASIL CONTRA O RACISMO E A FAVOR DOS DIREITOS HUMANOS!! O LEVANTE DE TODAS AS CORES – TAMBORES DE OLOKUN ‚Äď MANIFESTO COR

#√ČRacismoSim! #CriminalizaSim!

JULGAMENTO HIST√ďRICO

AP√ďS 70 anos da Declara√ß√£o Universal dos Direitos Humanos, a Criminaliza√ß√£o da homofobia pelo STF √© um novo marco civilizat√≥rio Internacional, uma vit√≥ria de todo movimento LGBT no Brasil e no Mundo.

Advogada e ativista dos Direitos Humanos Dra. Maria Eduarda Aguiar, representando a ANTRA, e falando como ‚ÄúAmicus Curiae‚ÄĚ no STF, em defesa da criminaliza√ß√£o da homofobia e da transfobia.

“Depois de termos passado os horrores do nazifascismo e do Holocausto, nunca mais se imaginou que o ser humano poderia ser v√≠tima dessa discrimina√ß√£o em alto grau de viol√™ncia.” Luiz Fux, ministro do STF, em seu voto

MENTES QUE ILUMINAM TODA A SOCIEDADE

Secularismo humanista: razão e empatia à serviço da vida, das liberdades e garantias e dos DIREITOS FUNDAMENTAIS DA PESSOA HUMANA. 

__________

STF JULGA HOMOFOBIA COMO CRIME

DE RACISMO NO BRASIL

Em sess√£o plen√°rio do Supremo Tribunal Federal se debru√ßa sobre os crimes motivados pela avers√£o a homossexuais. Na pauta, o direito de expressar a sexualidade, sem ser alvo de viol√™ncia brutal.¬†Em julgamento hist√≥rico, o voto do decano Min. Celso de Mello, relator da a√ß√£o que pede a criminaliza√ß√£o da homofobia e da transfobia, com mais de 130 paginas contendo li√ß√Ķes hist√≥ricas sobre o √≥dio contra a popula√ß√£o LGBT no brasil, citando pesquisas realizadas por Eduardo Michels, autor dos relat√≥rios anuais divulgados em parceria com GGB durante os √ļltimos dez anos.¬†

_______

A BANALIDADE DO MAL HOMOTRANSFOBICO

 

Sem título

____________

_______

INCLUSÃO DA HOMOFOBIA NA

LEI ANT√ć-RACISMO !!

STF: O Caso Ellwanger(2003) √© uma refer√™ncia onde o STF entendeu o entendimento de racismo como um conceito pol√≠tico social mais amplo, n√£o s√≥ para quest√£o de ra√ßa, cor de pele, mas que se enquadra em qualquer tipo de inferioriza√ß√£o de um grupo por outro, por um atributo que o grupo tenha. Ent√£o agora se pede a inclus√£o da comunidade LGBTI‚ÄĚ, tendo em vista que a tutela penal relativa aos crimes raciais, j√° protege igualmente o preconceito derivado de ra√ßa, cor, etnia, religi√£o ou proced√™ncia nacional, queremos apenas incluir a homofobia na lei contra o racismo, Lei n¬ļ 9.459/97 que define os crimes de preconceito.

NEGAR A INCLUS√ÉO DA HOMOFOBIA A LEI CONTRA O RACISMO √Č INSTITUCIONALIZAR A PROPAGANDA HOMOF√ďBICA!!

_________________

Minist√©rio Publico Federal: HOMOFOBIA √Č RACISMO !!

O que estamos pedindo e a inclus√£o da comunidade LGBTI‚ÄĚ, tendo em vista que a tutela penal relativa aos crimes raciais, j√° protege igualmente o preconceito derivado de ra√ßa, cor, etnia, religi√£o ou proced√™ncia nacional, queremos apenas incluir a homofobia na lei contra o racismo, Lei n¬ļ 9.459/97 que define os crimes de preconceito.

O Brasil é o país que mais mata LGBTIs no mundo, segundo dados levantado pelo pesquisador Eduardo Michels, criador deste site e da hemeroteca digital, que possui o maior banco de dados mundial sobre homicídio e suicídio de LGBTI+ no país, ativo há quase dez anos, sem nenhum apoio governamental, onde somente este ano, já foram documentados 372 casos fatais no período de 01/01 até 30/11/2018. Vítimas da LGBTFOBIA, enquanto frutos de uma cultura machista e racista estrutural Brasileira, que faz uma pessoa LGBTI assassinada a cada 19 horas e isso certamente ainda, com dados subestimados.

____________

STF ADVERTE: HOMOFOBIA MATA!

BRASIL CAMPEÃO MUNDIAL DE MORTES POR LGBTFOBIA!!
NEGAR A CRIMINALIZA√á√ÉO DA HOMOFOBIA √Č INSTITUCIONALIZAR A PROPAGANDA HOMOF√ďBICA.¬†
HM ‚Äď 10 anos na Luta por Direitos Humanos no Brasil.¬†

____________________

A luta pelos direitos LGBTs se tornou a nova fronteira dos direitos humanos. A luta é pela proteção de toda a família humana. Não se trata de direitos dos homossexuais, é sobre os direitos humanos de todas as minorias sociais marginalizadas! 
Estudo do site “Homofobia Mata” divulgado mostra que, entre 2011 e o ano de 2012, o n√ļmero de homossexuais mortos no Brasil aumentou 27%. No total, 338 gays foram assassinados no pa√≠s em 2012, contra 266 mortes registradas no ano anterior. ‚ÄúUm LGBT √© violentamente assassinado a cada 24 horas. Essa viol√™ncia ficou fora do controle do governo federal e dos governos estaduais‚ÄĚ, Os altos n√ļmeros t√™m quatro principais quest√Ķes: aumento da viol√™ncia no pa√≠s, crescimento da viol√™ncia contra gays, aus√™ncia de pol√≠ticas p√ļblicas direcionadas a essa minoria e a inexist√™ncia de legisla√ß√£o espec√≠fica que criminalize a homofobia.

____________________

A fil√≥sofa e escritora francesa Simone de Beauvoir em seu livro O Segundo Sexo refletiu a respeito da condi√ß√£o da mulher na sociedade e compreendeu que a ‚Äúfigura feminina‚ÄĚ e as caracter√≠sticas e posturas que lhes s√£o atribu√≠das nada mais s√£o do que constru√ß√Ķes sociais produzidas de acordo com a hist√≥ria. Levando em considera√ß√£o a constata√ß√£o dessa importante escritora feminista – e concordando com ela – preferi ent√£o me referir aos que se convencionou chamar de gays ‚Äúafeminados‚ÄĚ como gays ‚Äúcom caracter√≠sticas mais delicadas‚ÄĚ e em sua oposi√ß√£o aos gays denominados ‚Äúmasculinizados‚ÄĚ como gays ‚Äúmenos delicados‚ÄĚ. A minha prefer√™ncia pelo uso dessas express√Ķes possui a clara constata√ß√£o de que caracter√≠sticas como a delicadeza, sensibilidade, afabilidade, impolidez, rudeza, aspereza entre outras podem pertencer aos dois g√™neros, n√£o sendo assim caracter√≠sticas fixas e natas pertencentes apenas a um ou outro g√™nero. A prefer√™ncia pelo n√£o uso dos termos ‚Äúafeminado‚ÄĚ e ‚Äúmasculinizado‚ÄĚ tamb√©m leva em considera√ß√£o toda a carga de machismo de que est√£o impregnados.

Em rela√ß√£o a essas caracter√≠sticas ditas masculinas e femininas √© muito comum ouvirmos os gays com caracter√≠sticas menos delicadas, os chamados ‚Äúmasculinizados‚ÄĚ, dizerem que os gays mais delicados ou ‚Äúafeminados‚ÄĚ n√£o os representam e ainda ‚Äúqueimam‚ÄĚ a ‚Äúimagem‚ÄĚ dos gays perante a sociedade. Nesse pensamento pouco reflexivo, esses gays menos delicados, responsabilizam os gays com caracter√≠sticas mais delicadas pelo recrudescimento da homofobia na sociedade. A esses gays que discriminam os mais delicados fazendo uso dessa argumenta√ß√£o cabe um questionamento: Existe alguma imagem de gay idealizada pelos homof√≥bicos que n√£o seja alvo de seus preconceitos? Existe alguma imagem positiva que a sociedade tenha criado de algum gay que o isente de ser alvo do preconceito? √Č evidente que n√£o. Ent√£o, que imagem os gays mais delicados est√£o ‚Äúqueimando‚ÄĚ? Para os preconceituosos n√£o importa se voc√™ √© mais delicado ou nada delicado. O que importa para eles √© que voc√™ sendo gay se relaciona afetivo e sexualmente com homens, e isso √© papel da mulher, logo, voc√™ ser√° inferior por supostamente se sujeitar a um papel considerado deplor√°vel.

E o preconceito dos gays menos delicados contra os mais delicados vai al√©m. √Č muito comum encontrarmos frases como “N√£o sou, nem curto afeminados”, “Odeio afeminados!”, etc em status de msn,¬†chats¬†e¬†sites¬†de ‚Äúpega√ß√£o‚ÄĚ gay. Uma grande parte dessas senten√ßas s√£o normalmente escritas ou proferidas por gays menos delicados que ainda se encontram ‚Äúno arm√°rio‚ÄĚ. Muitos dos gays que escrevem ou dizem em alto e bom som essas frases se defendem afirmando que n√£o est√£o sendo preconceituosos por se tratar apenas de uma prefer√™ncia, que apenas n√£o se sentem atra√≠dos pelos gays mais delicados. Mas se tratasse apenas de uma prefer√™ncia, porque ent√£o n√£o afirmarem apenas as suas prefer√™ncias em frases como ‚Äúgosto de gays masculinizados‚ÄĚ? Porque ent√£o o uso de frases que desmerecem aqueles que n√£o s√£o os alvos de suas pretens√Ķes?

O que est√° por tr√°s dessas senten√ßas contra os mais delicados nada mais √© que a repeti√ß√£o do machismo onde tudo que eventualmente esteja ligado ao que se convencionou pertencer ao universo feminino seja algo inferior e motivo de censura e constrangimento. Quando se trata de homens, gays ou n√£o, que possuem essas caracter√≠sticas ditas ‚Äúfemininas‚ÄĚ ele logo √© rotulado de ‚Äúafrescalhado‚ÄĚ, ‚Äúafeminado‚ÄĚ, ‚Äúmulherzinha‚ÄĚ e advertido que isso √© coisa de ‚Äúviado‚ÄĚ. Essa censura serve como intimida√ß√£o aos homens para que eles n√£o ousem transitar pelo territ√≥rio ‚Äúfeminino‚ÄĚ e nem queiram assumir um papel que est√° relegado √†s mulheres, pois se assim fizerem, logo ser√£o considerados inferiores e tratados como tal. Essa situa√ß√£o ilustra muito bem a √≠ntima rela√ß√£o que existe entre a misoginia, o machismo e a homofobia. Infelizmente esse pensamento machista n√£o √© repetido apenas por homens heterossexuais. Muitos homens gays – mesmo sofrendo com a homofobia que tem forte vincula√ß√£o com o machismo ‚Äď ainda repetem esse pensamento em a√ß√Ķes como o menosprezo e antipatia por gays com caracter√≠sticas mais delicadas.

Muitas vezes, nem mesmo as mulheres conseguem escapar desse pensamento machista. Ainda hoje, mesmo ap√≥s d√©cadas de luta do movimento feminista pela emancipa√ß√£o da mulher e de luta contra o machismo presente na sociedade patriarcal, muitas mulheres ainda o reproduz para os seus filhos, amigos, pretendentes ou companheiros. At√© mesmo um simples ato de presentear uma crian√ßa pode acabar contribuindo para a perpetua√ß√£o das ideias machistas. Quem nunca ouviu algumas m√£es repreendendo seus filhos ainda pequenos com frases do tipo: ‚ÄĚDeixa a boneca da sua irm√£, isso n√£o √© brinquedo para menino!‚ÄĚ, ‚ÄúV√° brincar com seus carrinhos!‚ÄĚ ou at√© mesmo aquelas mulheres que presenteiam as meninas com casinhas, fog√Ķezinhos, panelinhas enquanto compram para os meninos carr√Ķes, jogos de estrat√©gia e bonecos ‚Äúbombados‚ÄĚ armados at√© os dentes?

Ao contr√°rio do que pensa os gays com caracter√≠sticas menos delicadas, os gays mais delicados n√£o fazem recrudescer a homofobia e nem os menos delicados deixam de ser alvo dela. Como afirma Didier Eribon, ‚Äú√Äs vezes, n√£o √© preciso gesto algum: a apar√™ncia ou as roupas bastam para desencadear o √≥dio. Tanto contra os gays mais assumidos quanto contra aqueles que o s√£o menos ou n√£o o s√£o nem um pouco, contra os que ‚Äúse exibem‚ÄĚ como contra os que d√£o prova de ‚Äúdiscri√ß√£o‚ÄĚ, a possibilidade de ser objeto da agress√£o verbal ou f√≠sica permanece onipresente‚ÄĚ*.¬†Nem mesmo os gays naturalmente menos delicados – ou aqueles que pelo receio de serem vitimas da homofobia na sociedade se esforcem ou at√© desenvolvam uma limitada capacidade de controlar os gestos e a fala – estar√£o a salvo de serem vitimas dessa viol√™ncia. Eribon compara a homofobia onipresente na sociedade como um ‚Äúconstante ass√©dio moral‚ÄĚ na vida de todos os gays independentemente de serem eles mais ou nada delicados.

* ERIBON, Didier.¬†Reflex√Ķes sobre a quest√£o gay. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2008. 445p.

RODRIGUES, Jadilson. Aonipresença homofóbica: a íntima relação entre o machismo e a homofobia. Disponível em:

http://homosapienssapiensbrazil.blogspot.com/2010/05/onipresenca-homofobica.html.

____________

 Homofobia é o termo utilizado para designar uma espécie de medo irracional diante da homossexualidade ou da pessoa homossexual, colocando este em posição de inferioridade e utilizando-se, muitas vezes, para isso, de violência física e/ou verbal.

images

A palavra homofobia significa a repulsa ou o preconceito contra a homossexualidade e/ou o homossexual. Esse termo teria sido utilizado pela primeira vez nos Estados Unidos em meados dos anos 70 e, a partir dos anos 90, teria sido difundido ao redor do mundo. ¬†A palavra fobia denomina uma esp√©cie de ‚Äúmedo irracional‚ÄĚ, e o fato de ter sido empregada nesse sentido √© motivo de discuss√£o ainda entre alguns te√≥ricos com rela√ß√£o ao emprego do termo. Assim, entende-se que n√£o se deve resumir o conceito a esse significado.

Podemos entender a homofobia, assim como as outras formas de preconceito, como uma atitude de colocar a outra pessoa, no caso, o homossexual, na condição de inferioridade, de anormalidade, baseada no domínio da lógica heteronormativa, ou seja, da heterossexualidade como padrão, norma. A homofobia é a expressão do que podemos chamar de hierarquização das sexualidades. Todavia, deve-se compreender a legitimidade da forma homossexual de expressão da sexualidade humana.

No decorrer da hist√≥ria, in√ļmeras denomina√ß√Ķes foram usadas para identificar a homossexualidade, refletindo o car√°ter preconceituoso das sociedades que cunharam determinados termos, como: pecado mortal, pervers√£o sexual, aberra√ß√£o.

Outro componente da homofobia √© a proje√ß√£o. Para a psicologia, a proje√ß√£o √© um mecanismo de defesa dos seres humanos, que coloca tudo aquilo que amea√ßa o ser humano como sendo algo externo a ele. Assim, o mal √© sempre algo que est√° fora do sujeito e ainda, diferente daqueles com os quais se identifica. Por exemplo, por muitos anos, acreditou-se que a AIDS era uma doen√ßa que contaminava exclusivamente homossexuais. Dessa forma, o ‚Äúaid√©tico‚ÄĚ era aquele que tinha rela√ß√Ķes homossexuais. Assim, as pessoas podiam se sentir protegidas, uma vez que o mal da AIDS n√£o chegaria at√© elas (heterossexuais). A quest√£o da AIDS √© pouco discutida, mantendo confus√Ķes como essa em vigor e sustentando ideias infundadas. Algumas pesquisas apontam ainda para o medo que o homof√≥bico tem de se sentir atra√≠do por algu√©m do mesmo sexo. Nesse sentido, o desejo √© projetado para fora e rejeitado, a partir de a√ß√Ķes homof√≥bicas.

¬†Assim, podemos entender a complexidade do fen√īmeno da homofobia que compreende desde as conhecidas ‚Äúpiadas‚ÄĚ para ridicularizar at√© a√ß√Ķes como viol√™ncia e assassinato. A homofobia implica ainda numa vis√£o patol√≥gica da homossexualidade, submetida a olhares cl√≠nicos, terapias e tentativas de ‚Äúcura‚ÄĚ.

A quest√£o n√£o se resume aos indiv√≠duos homossexuais, ou seja, a homofobia compreende tamb√©m quest√Ķes da esfera p√ļblica, como a luta por direitos. Muitos comportamentos homof√≥bicos surgem justamente do medo da equival√™ncia de direitos entre homo e heterossexuais, uma vez que isso significa, de certa maneira, o desaparecimento da hierarquia sexual estabelecida, como discutimos.

Podemos entender ent√£o que a homofobia compreende duas dimens√Ķes fundamentais: de um lado a quest√£o afetiva, de uma rejei√ß√£o ao homossexual; de outro, a dimens√£o cultural que destaca a quest√£o cognitiva, onde o objeto do preconceito √© a homossexualidade como fen√īmeno, e n√£o o homossexual enquanto indiv√≠duo.

Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a legalidade da uni√£o est√°vel entre pessoas do mesmo sexo no Brasil. A decis√£o retomou discuss√Ķes acerca dos direitos da homossexualidade, al√©m de colocar a quest√£o da homofobia em pauta.

Apesar das conquistas no campo dos direitos, a homossexualidade ainda enfrenta preconceitos. O reconhecimento legal da uni√£o homoafetiva n√£o foi capaz de acabar com a homofobia, nem protegeu in√ļmeros homossexuais de serem recha√ßados,¬†muitas vezes de forma violenta.

Embora a homossexualidade era vista como transtorno mental , até o final de 1970, a maioria das pessoas têm crescido a compreender a situação das pessoas lésbicas, gays, bissexuais ou transexuais. Infelizmente, porém, ainda há um pouco de medo deles em nossas comunidades. Este medo da preferência sexual da própria pessoa e estilo de vida é quase sempre irracional e geralmente devido a uma inexperiência em torno desses diferentes grupos de pessoas. A homofobia é um medo exagerado, irracional ou extremo de homens gays e mulheres lésbicas, e, geralmente, vai levá-los ao medo e às vezes odeio esses grupos e, posteriormente, evitar a maioria das pessoas que encaramos como homossexual.

¬†‚ÄĒ

TODA AGRESSÃO CONTRA LGBT

√Č CRIME HOMOF√ďBICO

Homofobia é definida genericamente  como o ódio e violência contra membros da população LGBT. Toda violência contra gays, lésbicas, travestis e transexuais encontra-se permeada pela homofobia individual, cultural e institucional. Quando porem  se quer especificar o segmento vitimado, recomenda-se usar os termos lesbofobia, gayfobia, transfobia.

Delegados e jornalistas costumam¬† argumentar que nem todo crime contra homossexuais seria motivado pela¬† ‚Äúhomofobia‚Äô‚Äô, considerando que h√° ocasi√Ķes onde o elemento desencadeador da viol√™ncia parece ser de origem passional (crimes provocados por parceiros/amantes), ou surge do desejo de roubar (latroc√≠nios) ou est√° vinculado ao acerto de contas (cobran√ßa de d√≠vidas), etc.

A Vitimologia e Criminologia permitem-nos afirmar que a homofobia individual, cultural e institucional estão sempre  presentes quando um LGBT é vítima de violência.

Quando um gay √© espancado ou morto por um mach√£o ou pelo pr√≥prio parceiro sexual ou afetivo, por tr√°s existe geralmente a motiva√ß√£o da homofobia individual internalizada, desencadeando no psiquismo do agressor sentimentos de √≥dio contra o ‚Äúviado‚ÄĚ. Da√≠ a ocorr√™ncia de¬† extrema ferocidade dos crimes contra travestis e gays (pauladas, facadas, tortura, castra√ß√£o, muitos tiros), revelando o √≥dio profundo contra os LGBT e a incapacidade do agressor em¬† lidar com sua pr√≥pria sexualidade.

Quais s√£o os tipos de Homofobia – LGBTfobia?

A Homofobia Individual ‚Äď Um sistema de cren√ßas pessoais (um preconceito) que indica que se deve sentir pena das minorias sexuais, porque s√£o infelizes e incapazes de controlar seus desejos, ou de que se deve odi√°-las.

A Homofobia Interpessoal ‚Äď Ocorre quando um vi√©s ou preconceito pessoal afeta as rela√ß√Ķes entre indiv√≠duos, transformando o preconceito em seu componente ativo ‚Äď a discrimina√ß√£o.

A Homofobia Internalizada ‚Äď Nega√ß√£o da pr√≥pria orienta√ß√£o sexual (do reconhecimento das suas atra√ß√Ķes emocionais e sexuais) para si mesmo e perante os outros.

A homofobia cultural ‚Äď Ocorre quando as normas sociais ou c√≥digos de conduta que, embora n√£o expressamente escritos na forma de lei ou pol√≠tica, operam dentro de uma sociedade a fim de legitimar a opress√£o. Se revela nas atitudes sociais negativas das pessoas¬† para com a pessoa transexual ou homossexual, tendo origem no machismo, levando os LGBT √† exclus√£o, marginalidade, perpetuando estere√≥tipos da fragilidade f√≠sica e social das v√≠timas, vulnerabilidades que favorecem o latroc√≠nio, a agress√£o, a inj√ļria e os crimes passionais. A homofobia cultural¬† afasta¬† tamb√©m as pessoas a denunciarem e testemunharem contra os agressores, dificultando a apura√ß√£o desses crimes.

A homofobia institucional ‚Äď Blumfeld (1992) define a chamada ‚Äė‚Äėhomofobia institucional‚Äô‚Äô como praticas discriminat√≥rias com base na orienta√ß√£o ou identidade sexual praticadas por governos, empresas e organiza√ß√Ķes educacionais, religiosas e profissionais. Exemplos cl√°ssicos dessa forma de homofobia s√£o as declara√ß√Ķes de autoridade religiosas para a grande m√≠dia. Se manifesta na omiss√£o das autoridades em investigar crimes contra LGBT, na recusa e mau atendimento das v√≠timas nas delegacias, na impunidade dos assassinos, na omiss√£o do legislativo em aprovar leis que equiparem e punam a homofobia como ao crime de racismo, no veto do poder executivo a a√ß√Ķes afirmativas que promovam a cidadania lgbt.

Portanto, todo crime cometido contra LGBTs tem sempre motiva√ß√£o homof√≥bica, seja em √Ęmbito individual, cultural ou institucional, n√£o raro interrelacionando tais fatores, devendo ser identificado como crime homof√≥bico e punido como crime de √≥dio. Homossexualidade e transexualidade s√£o sempre agravantes na viol√™ncia contra as minorias sexuais.

Dados gerados pelo DDH a partir dos relatos das pr√≥prias v√≠timas de agress√Ķes e discrimina√ß√Ķes associadas √† homofobia, possibilitou uma an√°lise produzida a partir dos primeiros 500 casos, que classificou a viol√™ncia contra homossexuais em tr√™s grupos:

1) crimes interativos, isto √©, agress√Ķes e discrimina√ß√Ķes ocorridas em casa, na vizinhan√ßa e entre parceiros, dos quais tamb√©m as l√©sbicas e n√£o apenas gays e travestis apareciam significativamente como v√≠timas,

2) crimes com fins de lucro, ou seja, chantagens, extors√Ķes, ‚Äúboa noite cinderela‚ÄĚ, em geral praticados contra gays e travestis,

3) crimes de ódio, como graves ameaças, espancamentos e assassinatos, dos quais a maior parte das vítimas são travestis (Ramos, 2001).

Este estudo, juntamente com as pesquisas de vitimiza√ß√£o das Paradas (CARRARA, CAETANO, RAMOS, 2003; CARRARA, RAMOS, 2005; CARRARA, RAMOS, SIM√ēES, FACCHINI, 2006; CARRARA, RAMOS, MEDRADO, VIEIRA, 2007), da pesquisa sobre homofobia nas escolas (REPROLATINA, 2010) tem constitu√≠do uma s√©rie de esfor√ßos no sentido de caracterizar a complexidade da rela√ß√£o entre viol√™ncia e sexualidade no Brasil, demonstrando varia√ß√Ķes significativas de acordo com marcadores como g√™nero, identidade sexual, idade, escolaridade e cor, diferindo bastante das imagens veiculadas pela m√≠dia.

 ___________________________________

Muitas v√≠timas de homofobia sentem-se impelidas a reprimir sua orienta√ß√£o sexual, seus h√°bitos e seus costumes, sendo freq√ľente a ocorr√™ncia de casos de depress√£o. √Č importante salientar que todo ser humano, independente de sua sexualidade, tem o direito ao tratamento digno e a um modo de vida aberto √† busca de sua felicidade. A procura de ajuda psicol√≥gica e da Justi√ßa √© essencial para que a discrimina√ß√£o homof√≥bica afete da menor maneira poss√≠vel a vida das v√≠timas.

A Constitui√ß√£o Federal brasileira n√£o cita a homofobia diretamente como um crime. Todavia, define como ‚Äúobjetivo fundamental da Rep√ļblica‚ÄĚ (art. 3¬ļ, IV) o de ‚Äúpromover o bem de todos, sem preconceitos de origem, ra√ßa, sexo, cor, idade, ou quaisquer outras formas de discrimina√ß√£o‚ÄĚ. √Č essencial ter consci√™ncia de que a homofobia est√° inclusa no item ‚Äúoutras formas de discrimina√ß√£o‚ÄĚ sendo considerada crime de √≥dio e pass√≠vel de puni√ß√£o.

Atrav√©s da Lei Estadual 10.948/2001, o estado de S√£o Paulo estabeleceu diferentes formas de puni√ß√£o a diversas atitudes discriminat√≥rias relacionadas aos grupos de pessoas que tem manifesta√ß√£o sexual perseguida por homof√≥bicos e intolerantes. Atualmente est√° em tramita√ß√£o no Congresso o Projeto de Lei da C√Ęmara (PLC) 122/2006 que tem como proposta a criminaliza√ß√£o da discrimina√ß√£o gerada por diferentes identidades de g√™nero e orienta√ß√£o sexual.

Como Identificar 

A express√£o homof√≥bica pode se dar das mais variadas formas.¬†Em alguns casos a discrimina√ß√£o pode ser discreta e sutil, entretanto, muitas vezes, o preconceito se torna evidente com agress√Ķes verbais, f√≠sicas e morais. Qualquer que seja a forma de discrimina√ß√£o √© importante a v√≠tima denunciar o acontecido. A orienta√ß√£o sexual n√£o deve, em hip√≥tese alguma, ser motivo para o tratamento degradante de um ser humano. o agressor costuma usar palavras ofensivas para se dirigir √† v√≠tima ou aos LGBTI como um todo;

muitas vezes o agressor não reconhece seu preconceito e trata as ocorrências de discriminação como brincadeiras;

√© comum o agressor fazer uso de ofensas verbais e morais¬†ao se referir √†s minorias sexuais; a agress√£o f√≠sica ocasionada pela homofobia √© comum e envolve desde empurr√Ķes at√© atitudes que causem les√Ķes mais s√©rias, como o espancamento;

o agressor costuma desprezar todas as formas de comportamento da vítima, considerando-os desviantes da normalidade;

o homofóbico costuma se dirigir à vítima como se esta fosse inferior,nojenta, degradante e fora da normalidade;

é costume do homofóbico a acusação de que as minorias sexuaisatentam contra os valores morais e éticos da sociedade;

o agressor costuma ficar mais agressivo ao ver expl√≠citas demonstra√ß√Ķes amorosas ou sexuais¬†que fogem ao padr√£o heteronormativo (por exemplo: m√£os dadas, beijos e car√≠cias)

o agressor costuma negar serviços, promoção em cargos empregatícios e tratamento igualitário às vítimas;

Como Denunciar?

N√£o h√° justificativas para qualquer tipo de discrimina√ß√£o causada pela homofobia.¬†Os LGBTI t√™m direito √† express√£o amorosa e sexual, e a explicita√ß√£o desta n√£o √© desculpa para um comportamento agressivo. √Č muito importante denunciar qualquer tipo de atitude homof√≥bica. Toda Delegacia tem o dever de atender as v√≠timas de homofobia e de buscar por justi√ßa. Al√©m de ser um direito, √© dever de todo cidad√£o denunciar esse tipo de ocorr√™ncia. Atrav√©s da den√ļncia protege-se n√£o apenas uma v√≠tima, mas todo um grupo que futuramente poderia ser atacado.

A v√≠tima deve exigir seus direitos e registrar um Boletim de Ocorr√™ncia. √Č de essencial import√Ęncia buscar a ajuda de poss√≠veis testemunhas na luta judicial a ser iniciada. Em caso de agress√Ķes f√≠sicas, a v√≠tima n√£o deve lavar-se nem trocar de roupa, j√° que tais atos deslegitimariam poss√≠veis provas que devem ser buscadas atrav√©s de um Exame de Corpo de Delito (a realiza√ß√£o desse exame √© indispens√°vel). Se a viol√™ncia acontecer atrav√©s de danos √† propriedade, roupas, s√≠mbolos, bandeiras e etc, deve-se deixar o local e os objetos da maneira como foram encontrados para que as autoridades competentes possam averiguar legitimamente o acontecido.

Causas da homofobia

Em contraste com a maioria das fobias, acredita-se amplamente que a homofobia é causada principalmente por meio direto de uma pessoa em vez de uma visão inerente realizada dentro deles ou qualquer série de eventos traumáticos . Aqui estão os dados demográficos mais comuns que relataram níveis mais elevados de homofobia:

  • Os homens mais velhos

  • Baixos n√≠veis de educa√ß√£o

  • Religioso

  • Suporte de pap√©is tradicionais de g√™nero

  • Politicamente conservador

  • Residindo em uma √°rea geogr√°fica onde a toler√Ęncia de casamentos do mesmo sexo s√£o incrivelmente baixo (regi√Ķes do sul dos Estados Unidos, por exemplo)

Homofobia √© geralmente visto em um contexto socialmente negativa, os homens e as mulheres homossexuais n√£o se v√™em como fazer uma escolha em seus padr√Ķes de relacionamento, mas sim nascem com uma¬†prefer√™ncia sexual diferente¬†.¬†Este rotas de volta para a id√©ia de que, apesar de odiar a um grupo espec√≠fico de pessoas, normalmente ser visto como moralmente errado, √© injusto para odiar uma pessoa com base em uma decis√£o que eles n√£o s√£o capazes de fazer (sexo, ra√ßa, prefer√™ncia sexual, etc .).¬†Enquanto uma pessoa que √© desprovida de fundamentos de rela√ß√Ķes homossexuais poder√£o ter direito √† sua opini√£o, a homofobia √© comumente conhecido para estender al√©m dos limites da mente.Isso geralmente leva a separar quest√Ķes como a segrega√ß√£o, a¬†discrimina√ß√£o¬†ou mesmo atos de viol√™ncia f√≠sica.

Tratamento da homofobia

H√° uma variedade de op√ß√Ķes de tratamento profissional para a homofobia.¬†Estes incluem¬†terapia comportamental¬†, psicoterapia, terapia de exposi√ß√£o,¬†t√©cnicas de relaxamento¬†e medica√ß√£o.¬†N√£o importa qual op√ß√£o de tratamento que voc√™ escolher, pesquisar uma op√ß√£o que melhor se adequa ao seu estilo de vida √© importante.

Homofobia n√£o s√≥ pode ret√™-lo em sua vida, ele tamb√©m pode conter outros ao seu redor.¬†Esta condi√ß√£o n√£o √© apenas um medo extremo e irracional de pessoas gays ou l√©sbicas, tamb√©m √© geralmente associado com um √≥dio ou desaprova√ß√£o sincero de seus relacionamentos homossexuais.¬†Este tornou-se recentemente um grande problema em nossa sociedade e, especialmente, nas comunidades LGBT.¬†Fazer o esfor√ßo para a mudan√ßa vai fazer uma enorme diferen√ßa em sua vida pessoal, geralmente resultando em uma postura mais calma e serena em anteriormente percebidas¬†situa√ß√Ķes estressantes¬†.¬†Se voc√™ est√° pronto para fazer essa altera√ß√£o, o que ir√° resultar em mudan√ßas positivas, tanto em n√≠vel pessoal e social, fazer alguma pesquisa inicial da internet para encontrar as melhores op√ß√Ķes de tratamento dispon√≠veis perto de voc√™.

Ver Recursos

Read the Full Page:¬†Homophobia ‚Äď Causes of Homophobia ‚Äď Treatment of Homophobia
AllAboutCounseling.com

—————————

*Créditos da imagem: Patrycja Mic / Shutterstock.com
Juliana Spinelli Ferrari
Colaboradora Brasil Escola
Graduada em psicologia pela UNESP – Universidade Estadual Paulista
Curso de psicoterapia breve pela FUNDEB РFundação para o Desenvolvimento de Bauru
Mestranda em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP – Universidade de S√£o Paulo

‚ąě

A ostensiva onipresença

da homolesbotransfobia

A viol√™ncia homotransf√≥bica est√° em todos os lugares. Em nossas pr√≥prias casas, em nossas fam√≠lias, na escola, no trabalho, na rua, pode estar em um √īnibus, no cinema, no teatro, na praia ou em uma caminhada pelo cal√ßad√£o. A viol√™ncia homotransf√≥bica tem muitas formas e graus de express√£o e n√£o tem alvo certo. Como toda viol√™ncia, torna-se descontrolada e, incontrol√°vel, atinge qualquer um, em qualquer lugar e sob qualquer circunst√Ęncia. A homofobia √© um monstro cruel e de muitas faces ‚Äď uma criatura implac√°vel, de muitos bra√ßos, muitas pernas e muitas cabe√ßas ‚Äď vazias ou cheias de quest√Ķes mal resolvidas, de ordem sexual, psicol√≥gica e social, perpassa todas as classes, todas as inst√Ęncias, tem muitas habilidades e acha at√© que pode ficar invis√≠vel, passar despercebida. N√£o, n√£o fica. Ela passa despercebida apenas aos mais desavisados. Para n√≥s, seus alvos preferidos, mas n√£o exclusivos, ela √© bem chamativa, feia e assustadora.¬†

_________________________________________

  • Homofobia √© a avers√£o/medo/√≥dio direcionado √† pessoas homossexuais,que podem ser gays,l√©sbicas,bissexuais e trans*.

    Lesbofobia é a homofobia praticada contra mulheres homossexuais.

    Bifobia é a aversão/medo;ódio direcionada especificamente contra pessoas bissexuais(que se relacionam com ambos os gêneros).

    Transfobia é a aversão/medo/ódio o direcionado às pessoas Trans*(transexuais,travestis,gender queer,etc),que podem ser homossexuais,heterossexuais,bissexuais,assexuais.

    Ocorre Homofobia quando a violência surge devido à orientação sexual;matou porque era gay,estuprou porque era lésbica,por exemplo.

    Ocorre Transfobia quando a violência surge devido à identidade de gênero;matou porque era travesti,proibiu a entrada no banheiro porque era Transexual,ignorou o nome social e a identidade de gênero com a qual a pessoa se identifica porque não se leva em conta a existência e legitimidade de pessoas trans*.

    Alguns ativistas usam o termo ”Homolesbitransfobia” para se referir ao conjunto da discrimina√ß√£o e √≥dio contra todos os membros da comunidade LGBT(L√©sbicas,Gays,bissexuais e trans*).

    √Č importante ressaltar que essa divis√£o n√£o foi criada para gerar confus√£o;cada pr√°tica de viol√™ncia contra pessoas da comunidade LGBT possui uma din√Ęmica cultural que √© ao mesmo tempo gen√©rica e espec√≠fica; a viol√™ncia contra todos os membros da comunidade LGBT surge da fonte comum do machismo patriarcal,por exemplo,mas a forma como cada tipo de viol√™ncia encontra legitimidade dentro do discurso de √≥dio √© espec√≠fica.

    Ainda sobre a quest√£o da discrimina√ß√£o e viol√™ncia homof√≥bica um adendo;algumas ativistas de coletivos l√©sbicos atualmente reexaminam se √© adequado se referir ao emprego da lesbofobia como sin√īnimo para ”homofobia”;acreditam que h√° diferen√ßas entre o tipo de avers√£o e √≥dio significativas o suficiente para se afirmar inclusive,que a homofobia √© um fen√īmeno exclusivo que atinge os gays masculinos,e lesbofobia um tipo de viol√™ncia/√≥dio/discrimina√ß√£o totalmente distinto.

    Em que pese o fato de que √© preciso que se reconhe√ßa a visibilidade da luta das mulheres homossexuais,e neste sentido √© absolutamente necess√°rio o uso de ”lesbofobia” sempre que se for falar sobre a homofobia direcionada √†s mulheres s,eu pessoalmente ainda n√£o me convenci de que homofobia e lesbofobia s√£o dois fen√īmenos distintos.

    Não vejo lógica alguma no argumento até o presente;todas as diferenças elencadas não me parecem suficientemente sólidas.

    Inclusive na questão do estupro corretivo,uma prática lesbofóbica mundialmente reconhecida,costuma-se ignorar sobejamente que homens gays também são vítimas de estupros como forma de punição da sua própria homossexualidade desde épocas imemoriais.Há também relatos de homens heterossexuais estuprados porque foram confundidos com gays,como o soldado que foi violado pelos companheiros de quartel porque usava roupas justas.

    Neste particular,o estupro praticado contra gays sempre cai na categoria da galhofa;lembro-me de uma piada que meu irmão contou há alguns anos.Um gay foi estuprado e na delegacia ficava muito decepcionado quando descobriu que na reconstituição do crime ele não seria estuprado novamente.

    Posso estar muito enganado,mas eu tenho a nítida impressão de que a forma como a sociedade vê o estupro segue acompanhando uma linha hierárquica definida ;um homem heterossexual violado é uma tragédia.Uma mulher violada é crime.Um gay violado é gracejo.

    H√° ainda no caso dos gays,a tend√™ncia de se descaracterizar o crime de estupro,geralmente por duas vias;o estuprador,porque engajado em rela√ß√£o sexual do mesmo sexo,√© visto como ”parceiro homossexual”,ainda que o sexo seja for√ßado, e ainda que o estupro n√£o diga nada sobre desejo,mas sobre poder,ainda que Kinsey tenha demonstrado que homens heterossexuais eventualmente se envolvem em rela√ß√Ķes do mesmo sexo.No caso onde realmente o agressor era outro homossexual,a natureza homof√≥bica do estupro n√£o deveria ser descartada com tanta facilidade;homofobia interna tamb√©m gera crime de √≥dio.

    http://www.sul21.com.br/jornal/2011/09/soldado-estuprado-no-quartel-em-santa-maria-farda-nunca-mais/
    .
    http://www.catingueiraonline.com/2011/02/homossexual-e-estuprado-no-sertao.html
    .
    http://acapa.virgula.uol.com.br/politica/russia-jovem-de-23-anos-e-estuprado-e-morto-por-ser-gay/2/13/22169
    .
    http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2013/03/15/aluno-da-usp-diz-ter-sido-estuprado-por-8-colegas.htm
    .
    http://revistaladoa.com.br/2011/06/noticias/policia-prende-tres-suspeitos-terem-violentado-espancado-assassinado-gay-19-anos-no

_______________________________________

Homofobia Cultural

Wilson Gomes

Delegados de pol√≠cia, jornalistas, e comentaristas dos fatos da vida nos jornais e em m√≠dias sociais est√£o ficando especializados em estabelecer e descartar causas de crimes. ‚ÄúFoi latroc√≠nio‚ÄĚ, declara a Autoridade, esquecendo-se que latroc√≠nio √© apenas o nome de um crime e n√£o a causa dele. ‚ÄúE se foi ‚Äėlatroc√≠nio‚Äô est√° descartada a homofobia‚ÄĚ, assevera o comentador de pol√≠tica online. Pois sim.

Causas s√£o coisas t√£o complicadas em Filosofia, que a F√≠sica de Arist√≥teles inventou uma teoria das quatro causas (material, eficiente, formal e final) que nos quebra a cabe√ßa at√© hoje. E se sairmos para o territ√≥rio da F√≠sica para as Ci√™ncias Sociais e a Psicologia, a vida n√£o fica mais f√°cil. Um sujeito, padecendo de amor n√£o correspondido, lan√ßa-se, em desatino, do alto de uma ponte sobre o rio e morre. O que causou a sua morte? O afogamento e o impacto da queda, com certeza. Algu√©m dir√° acertadamente que ele pr√≥prio matou-se ‚Äď suic√≠dio. Outros dir√£o que morreu de amor e estar√£o igualmente certos. Mas se n√£o houvesse for√ßa de gravidade, o coitado do nosso amigo morreria? Al√©m do mais, ao fim e ao cabo, morreu porque estava vivo, j√° que os mortos n√£o morrem, exceto em TheWalkingDead.¬†

Agora, pensem comigo. Imaginem que algum desses √≠cones da vida noturna e ‚Äúmarginal‚ÄĚ das metr√≥poles ‚Äď um morador de rua, uma prostituta de cal√ßada, um travesti ‚Äď seja assassinado brutalmente, como √© t√£o comum, numa dessas madrugadas da invisibilidade. Como eram pobres e n√£o havia nada neles a ser levado, exceto a vida, o Dr. Delegado ter√° que descartar o reconfortante latroc√≠nio. Ainda assim ser√£o exploradas as hip√≥teses de rixa e acertos de contas, que s√£o as perenes hip√≥teses n√ļmero 2 para o submundo ‚Äď coisa l√° entre eles. Haver√° a possibilidade de que o Dr. Delegado possa inferir, dos dados dispon√≠veis, da sua forma√ß√£o policial ou da sua enciclop√©dia pessoal sobre a vida que esses humanos a√≠ foram mortos porque os seus assassinos compartilhavam o preconceito socialmente estabelecido de que certos tipos de vida s√£o dispens√°veis? A repugn√Ęncia pela ‚Äúsujeira social‚ÄĚ, representada pelos tipos de vida que s√£o identificados como margens (pq. vistos do nosso centro), n√£o √© causa dos comportamentos de ‚Äúhigieniza√ß√£o‚ÄĚ homicida t√£o t√≠picos dos dias que correm? Muitos compartilham esta repugn√Ęncia, mas √© certamente poucos os que resolvem ‚Äútomar provid√™ncias‚ÄĚ ‚Äď aquelas provid√™ncias que terminam em um √≠ndio incendiado porque dormia na rua aqui, crian√ßas massacradas na Candel√°ria ali, prostitutas, travestis, homossexuais assassinados em bases cotidianas no Brasil afora.¬†

Claro, podemos brincar de achar e descartar causas (‚Äúcausas‚ÄĚ s√£o de tantos tipos mesmos, n√£o √© Arist√≥teles?), principalmente as causas que n√£o nos incomodem e impliquem, aquelas que afetem apenas v√≠tima e assassino e os isolem de n√≥s. Assim, quem compartilha as premissas ps√≠quicas e normativas da repugn√Ęncia que move a m√£o que mata pode continuar mantendo os seus ‚Äúvalores‚ÄĚ sossegadamente, j√° que as suas m√£os est√£o limpas. A v√≠tima foi quem assumiu o comportamento de risco e o assassino √© um louco que n√£o tem nada a ver comigo. Imagino os pac√≠ficos noruegueses do bem, mesmo que compartilhem as premissas de √≥dio contra imigrantes, tra√ßando um c√≠rculo ao redor de Anders Behring Breivik, o sujeito que levou a premissa a um ponto t√£o radical que resolveu ‚Äútomar provid√™ncias‚ÄĚ. N√£o temos nada a ver com isso, dir√£o. Assim como tra√ßaremos um c√≠rculo ao redor dos que matam homossexuais na noite, para isol√°-los de n√≥s e n√£o assumirmos que compartilhamos com ele as premissas medonhas que s√£o, sim, causa das mortes de que, em geral, nem ouvimos falar nos dias seguintes, confinadas √† cr√īnica policial.¬†

De certas mortes, entretanto, √© preciso imposs√≠veis acrobacias intelectuais e morais para que se possa descartar o √≥dio como causa, mesmo que outras causas possam ser, plausivelmente, inclu√≠das no pacote. Mata-se para roubar o homossexual que buscava sexo na noite, sim; mas quem acredita que a quest√£o sexual e o desprezo (mas tamb√©m desejo, talvez) pela orienta√ß√£o homossexual n√£o s√£o uma causa do √≥dio que mata, s√≥ pode fazer isso por m√° f√©. Mata-se por espancamento um menino que namorava na noite. Para roubar-lhe uns aparelhos eletr√īnicos (precisa-se matar para isso?)? Porque era ‚Äúmarginal‚ÄĚ e, portanto, descart√°vel? Porque era homossexual e, portanto, podia ser descartado pela bestial faxina moral por meio do assassinato?¬†

Se h√° alguma d√ļvida aqui √© simplesmente esta: qual √© a causa que o nosso conforto social vai descartar hoje? Ou vamos sair da nossa zona de conforto espiritual e assumir, sim, que a sociedade que compartilha o √≥dio ou o desprezo pela sexualidade homossexual tem as m√£os sujas de sangue, mesmo que n√£o tome provid√™ncias para mat√°-los? Afinal o ‚Äún√£o acho que foi por homofobia‚ÄĚ √© t√£o tranquilizante e simples, mas n√£o nos torna pessoas melhores em certos casos.

transfobia

Finalmente tem se dado mais destaque a esse terrível sintoma de doença mental que é ahomotransfobia. Mas será que conseguimos entender bem o que é isso? Primeiro vamos compreender o que é um sintoma.

Tudo √© sintoma, se somos falantes, t√≠midos, alegres, sorumb√°ticos, desonestos, militantes. Nossos traumas (falo de for√ßa de energia e n√£o de sentimento ou algo ruim) v√£o marcando nossas primeiras experi√™ncias e organizando aquilo que ‚Äúqueremos‚ÄĚ que seja nosso eu, aquilo que n√£o queremos, nossa mente trata de recalcar, isto √©, guardar num local que n√£o temos acesso. O chamado inconsciente.

Então, quando fala que todos são bissexuais, o psicanalista austríaco está falando que a mãe é o primeiro objeto de amor e o pai o segundo, ele representa o desejo da mãe. Mas essa é a corrente terna, isto é, um amor sem tesão. Mas é amor, é desejo. Qual criança nunca se enfiou no meio da cama dos pais, os separando ou querendo estar lá?

Na adolesc√™ncia vem a corrente sexual, j√° sabemos o que √© desejar, e as orienta√ß√Ķes (n√£o escolha, nem op√ß√£o) surgem. √Č comum meninas escovando cabelo umas da outras, ou rapazes com piadas sexuais, atitudes mais raras entre adultos.

Numa sociedade como a nossa, com forte repress√£o sobre a homossexualidade, muitos escondem de si, inclusive o psicanalista brasileiro Antonio Quinet, no livro “Homossexualidades”, aponta que muitos garotos gays foram para igreja pela falta de desejo por mulheres. Toda essa explica√ß√£o para dizer que a homotransfobia tem graus.

superpride

Escala de Allport

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.  (Redirecionado de Escala de allport)

Escala de Allport é um método para medir o preconceito numa sociedade. Também é conhecida por Escala de Preconceito e Discriminação de Allport ou Escala de Preconceito de Allport. Ela foi descrita pelo psicólogo Gordon Allport em seu livro The Nature of Prejudice (1954).

A escala de Allport Рvai de 1 a 5.

Nível 1 РAntilocução

Antilocu√ß√£o¬†significa um grupo majorit√°rio fazendo¬†piadas¬†abertamente sobre um grupo minorit√°rio. A fala se d√° em termos de¬†estere√≥tiposnegativos e imagens negativas. Isto tamb√©m √© chamado de¬†incitamento ao √≥dio. √Č geralmente vista como inofensiva pela maioria. A antilocu√ß√£o por si mesma pode n√£o ser danosa, mas estabelece o cen√°rio para erup√ß√Ķes mais s√©rias de preconceito.

Por exemplo, piadas sobre portugueses (no Brasil), brasileiros (em Portugal), negros, gays etc.

Nível 2 РEsquiva

O contato com as pessoas do grupo minoritário passa a ser ativamente evitado pelos membros do grupo majoritário. Pode não se pretender fazer mal diretamente, mas o mal é feito através do isolamento.

Nível 3 РDiscriminação

O grupo minoritário é discriminado negando-lhe oportunidades e serviços e acrescentando preconceito à ação. Os comportamentos têm por objetivo específico prejudicar o grupo minoritário impedindo-o de atingir seus objetivos, obtendo educação ou empregos etc. O grupo majoritário está tentando ativamente prejudicar o minoritário.

Nível 4 РAtaque Físico

O grupo majoritário vandaliza as coisas do grupo minoritário, queimam propriedades e desempenham ataques violentos contra indivíduos e grupos. Danos físicos são perpetrados contra os membros do grupo minoritário. Por exemplo, linchamento de negros nos Estados Unidos da América, pogroms contra os judeus na Europa, e a aplicação de pixe e penas em mórmons nos EUA dos anos 1800.

Nível 5 РExtermínio

O grupo majorit√°rio busca a extermina√ß√£o do grupo minorit√°rio. Eles tentam liquidar todo um grupo de pessoas (por exemplo, a popula√ß√£o dos √≠ndios norte-americanos, a¬†Solu√ß√£o Final¬†para o¬†Problema Judeu, a¬†Limpeza √Čtnica¬†na¬†B√≥snia¬†etc).

O que é homofobia

————–

Homofobia Internalizada

Manifesta√ß√Ķes:

Por Dr. Warren J. Blumenfeld

1. Nega√ß√£o da sua orienta√ß√£o sexual (do reconhecimento das suas atrac√Ķes emocionais e sexuais) para si mesmo e perante os outros.

2. Tentativas de mudar a sua orientação sexual.

3. Sentir que nunca se √© “suficientemente bom” (por vezes tend√™ncia para o “perfeccionismo”).

4. Pensamentos obsessivos e/ou comportamentos compulsivos.

5. Fraco sucesso escolar e/ou profissional; ou sucesso escolar e/ou profissional excepcional, como forma de ser aceito.

6. Desenvolvimento emocional e/ou cognitivo atrasado.

7. Baixa auto-estima e imagem negativa do próprio corpo.

8. Desprezo pelos membros mais “assumidos” e “√≥bvios” da comunidade Gay, L√©sbica, Bissexual e Transg√™nero.

9. Desprezo por aqueles que ainda se encontram nas primeiras fases de assumir a sua homossexualidade.

10. Negação de que a homofobia/o heterossexismo/a bifobia/a transfobia/o sexismo são de fato problemas sociais sérios.

11. Desprezo por aqueles que não são como nós; e/ou desprezo por aqueles que se parecem connosco.

12. Projeção de preconceitos num outro grupo alvo (reforçado pelos preconceitos já existentes nasociedade).

13. Tornar-se psicológica ou fisicamente abusivo; ou permanecer num relacionamento abusivo.

14. Tentativas de passar por heterossexual, casando, por vezes, com algu√©m do sexo oposto para ganhar aprova√ß√£o social ou na esperan√ßa de “se curar”.

15. Crescente medo e afastamento de amigos e familiares.

16. Vergonha e/ou depress√£o; defensividade; raiva e/ou ressentimento.

17. Esforçar-se pouco ou abandonar a escola; faltar ao trabalho/fraca produtividade.

18. Controlo contínuo dos seus comportamentos, maneirismos, crenças e ideias.

19. Fazer os outros rir através de mímicas exageradas dos estereótipos negativos da sociedade.

20. Desconfiança e crítica destrutiva a líderes da comunidade GLBT.

21. Relut√Ęncia em estar ao p√© ou em mostrar preocupa√ß√£o por crian√ßas por medo de ser considerado “ped√≥filo”.

22. Problemas com as autoridades.

23. Pr√°ticas sexuais n√£o seguras e outros comportamentos destrutivos e de risco (incluindo riscos de gravidez e de ser infectado com HIV).

24. Separar sexo e amor e/ou medo de intimidade. Por vezes pouco ou nenhum desejo sexual e/oucelibato.

25. Abuso de subst√Ęncias (incluindo comida, √°lcool, drogas e outras).

26. Desejo, tentativa e concretização de suicídio.

Fatos:

1. A homofobia/o heterossexismo/a bifobia/a transfobia s√£o formas de opress√£o, n√£o s√£o simples medos.

2. A homofobia/o heterossexismo/a bifobia/a transfobia est√£o infiltrados na sociedade.

3. √Č dif√≠cil n√£o internalizar as no√ß√Ķes negativas da sociedade em rela√ß√£o √† homossexualidade,bissexualidade e transgenderismo.

4. N√£o temos culpa se internalizamos estas no√ß√Ķes negativas.

5. H√° passos que podem ser dados para reduzir, ou mesmo eliminar, a opress√£o internalizada.

6. Trabalhar para eliminar a opressão internalizada é um processo longo Рpor vezes de uma vida inteira.

*Traduzido de “Internalized Homophobia: From Denial to Action – An Interactive Workshop”

_________________________________________________

Homofobia¬†(homo, pseudoprefixo de homossexual[1],¬†fobia¬†do¬†grego¬†ŌÜŌĆő≤őŅŌā “medo”, “avers√£o irreprim√≠vel”[2]) √© uma s√©rie de atitudes e sentimentos negativos em rela√ß√£o a¬†l√©sbicas,¬†gays,¬†bissexuaise, em alguns casos, contra¬†transg√™neros¬†e pessoas¬†intersexuais. As defini√ß√Ķes referem-se variavelmente a¬†antipatia,¬†desprezo,¬†preconceito, avers√£o e¬†medo¬†irracional.[3][4][5]¬†A homofobia √© observada como um comportamento cr√≠tico e hostil, assim como a¬†discrimina√ß√£o[3][4]¬†e a¬†viol√™ncia¬†com base em uma percep√ß√£o de¬†orienta√ß√£o¬†n√£o heterossexual. Em um discurso de 1998, a autora, ativista e l√≠der dos direitos civis,¬†Coretta Scott King, declarou: “A homofobia √© como o¬†racismo, o¬†anti-semitismo¬†e outras formas de¬†intoler√Ęncia¬†na medida em que procura desumanizar um grande grupo de pessoas, negar a suahumanidade,¬†dignidade¬†e¬†personalidade.”[6]¬†Em 1991, a¬†Anistia Internacional¬†passou a considerar a discrimina√ß√£o contra¬†homossexuais¬†uma viola√ß√£o aos¬†direitos humanos.[7]

Entre as formas mais discutidas est√£o a homofobia¬†institucionalizada¬†(por exemplo, patrocinada porreligi√Ķes[8]¬†ou pelo¬†Estado[9]), a¬†lesbofobia, a homofobia como uma intersec√ß√£o entre homofobia esexismo¬†contra as¬†l√©sbicas, e a homofobia¬†internalizada, uma forma de homofobia entre as pessoas que experimentam atra√ß√£o pelo mesmo sexo, independentemente de se identificarem como¬†LGBT.

Em maio de 2011, em refer√™ncia ao¬†Dia Internacional contra a Homofobia, a¬†Alta Comiss√°ria das Na√ß√Ķes Unidas para os Direitos Humanos,¬†Navi Pillay, declarou:

“[…] Em √ļltima an√°lise, a homofobia e a transfobia n√£o s√£o diferentes do sexismo, da misoginia, do racismo ou da xenofobia. Mas enquanto essas √ļltimas formas de preconceito s√£o universalmente condenadas pelos governos, a homofobia e a transfobia s√£o muitas vezes negligenciadas. A hist√≥ria nos mostra o terr√≠vel pre√ßo humano da discrimina√ß√£o e do preconceito. Ningu√©m tem o direito de tratar um grupo de pessoas como sendo de menor valor, menos merecedores ou menos dignos de respeito. […]”[10]

Homofobia no Brasil ainda é um problema presente e constante, havendo estatísticas compiladas peloGrupo Gay da Bahia (GGB) que sugerem que o Brasil é o país com a maior quantidade de registros decrimes homofóbicos do mundo, seguido pelo México e pelos Estados Unidos.[1] De acordo com o GGB, um homossexual é morto a cada 36 horas no país.[2]

Segundo o professor¬†Luiz Mott, fundador do GGB e membro do departamento de¬†antropologia¬†daUniversidade Federal da Bahia, a homofobia √© uma “epidemia nacional”. Ele assevera que o Brasil “√© o campe√£o mundial em assassinatos de homossexuais, sendo que a cada tr√™s dias um homossexual √© barbaramente assassinado, v√≠tima da homofobia.”[3]¬†Para a advogada Margarida Pressburger, membro do Subcomit√™ de Preven√ß√£o da Tortura da¬†Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas¬†(ONU), o Brasil ainda √© “um pa√≠s racista e homof√≥bico.”[4]

‚ąě

______________________________________

Suicídio Ou Assassinato?

Um Outro Crime Por Tr√°s Da Pr√°tica

Homofóbica

______________________________________

 Autores:
Laionel Vieira da Silva
Bruno Rafael Silva Nogueira Barbosa

Resumo

Vivemos hoje em uma cultura homof√≥bica, com a constante manifesta√ß√£o dos sentimentos negativos aos homossexuais, os quais enquanto v√≠timas de homofobia podem chegar a sofrer com uma baixa autoestima, depress√£o e por vezes (casos mais extremos) a pr√°tica do suic√≠dio. O presente estudo tem como objetivo refletir acerca da rela√ß√£o entre homofobia e a pr√°tica de suic√≠dio. Trata-se de uma pesquisa bibliogr√°fica. Foram encontrados relatos de jovens que j√° pensaram em cometer suic√≠dio devido √† pr√°tica homof√≥bica na qual foram v√≠timas, bem como not√≠cias de jovens que cometeram suic√≠dio. Os resultados atentam para a necessidade de se enxergar o fen√īmeno homof√≥bico como um crime contra a vida, da maneira como ele realmente se expressa.
Sem título2
Sem título
CAPA FINAL PARA SITE

________________

Sem título

¬†———————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————–

¬†√ćndice Wikip√©dia

————————–

‚ąě

Homofobia √Č Racismo

Por Alexey Dodsworth

Macaco, preto fedido, chimpanz√©, ti√ß√£o, urubu. Voc√™ dificilmente ouvir√° estes termos desprez√≠veis serem ditos nos dias de hoje, e quem os disser tem plena consci√™ncia de que poder√° ser processado e eventualmente encarcerado. Racismo √© crime. Mas n√£o pense voc√™ que as coisas foram sempre assim. Presenciei muito deste tipo de xingamento quando era um adolescente nos anos 80, em Salvador. Em Salvador, cidade de maioria negra! Perdi a conta de quantas vezes vi pessoas negras serem alvo deste tipo de improp√©rio. J√° tive colegas que mudaram de escola por n√£o suportarem as ofensas envolvendo a cor de suas peles. Por conta da criminaliza√ß√£o do racismo em 1988, paulatinamente a sociedade incorporou o fato de que determinadas express√Ķes s√£o intoler√°veis. E eu n√£o vejo ningu√©m relativizar o racismo, defendendo a ‚Äúliberdade de express√£o‚ÄĚ para quem queira usar estes termos asquerosos. √Č inegoci√°vel. Falou, vai preso. Nenhuma liberdade pode se pretender absoluta, nem a de express√£o. Ou, melhor dizendo: somos livres para fazer o que quisermos e dizer o que quisermos, mas para tudo h√° um pre√ßo.

Se estes termos pejorativos dirigidos contra negros nos s√£o ‚Äď agora! ‚Äď intoler√°veis, por que toleramos bicha, viado, baitola, boiola, frutinha? Ora, dir√£o alguns, Bolsonaro n√£o √© racista, ele se confundiu com a pergunta, pensou que Preta Gil estava a falar de gays. Vou contar um segredinho: homofobia √© racismo. Isso mesmo. ‚ÄúRacismo‚ÄĚ significa sustentar a suposta inferioridade ou superioridade de um determinado agrupamento de pessoas, agrupamento este definido por alguma caracter√≠stica distintiva comum. Pode ser cor de pele, mas n√£o necessariamente. E se digo isso, n√£o √© por mera ret√≥rica. H√° precedentes, h√° jurisprud√™ncia no Brasil sobre isso. Pessoas j√° foram processadas por demitir funcion√°rios que se revelaram gays, e o processo se amparou na lei antiracismo.

Deste modo, achar que Bolsonaro n√£o cometeu um crime grave por fazer declara√ß√Ķes contra gays e n√£o contra negros constitui equ√≠voco de pensamento. A matriz que norteia o discurso homof√≥bico de Bolsonaro √© absolutamente a mesma de quem faz declara√ß√Ķes preconceituosas contra negros. Vejamos o que faz Bolsonaro: ele sustenta a opini√£o de que todos os indiv√≠duos homossexuais s√£o doentes e prom√≠scuos. Esta afirma√ß√£o perversa constitui ofensa moral a milh√Ķes de brasileiros.

Homofobia √© um tipo de racismo, tanto quanto intoler√Ęncia religiosa √© um tipo de racismo. E se voc√™ discorda, considere isso:

1. Pessoas que odeiam gays, religiosos ou qualquer outro tipo de agrupamento distintivo costumam se referir ao grupo que odeiam como ‚Äúesta ra√ßa‚ÄĚ. Se n√£o √© racismo, por que se referem ao grupo como ‚Äúra√ßa‚ÄĚ? Fato: o ofensor considera o grupo odiado como uma ra√ßa √† parte. Sua pr√≥pria linguagem o entrega.

2. H√° jurisprud√™ncia no Brasil no tocante a considerar a homofobia um tipo de racismo. Antigamente, eu considerava o PL122 desnecess√°rio, sup√©rfluo, por entender que j√° est√° impl√≠cito na lei que constitui crime perseguir e discriminar pessoas, ou mesmo ofend√™-las moralmente, por conta de suas caracter√≠sticas singulares. No meu entender, discriminar uma pessoa por ser gorda, magra, negra, branca, at√©ia, religiosa, homo ou heterossexual √© tudo preconceito, e preconceito √© crime. Ponto final. Ou deveria ser um ponto final. O problema ‚Äď e fui fortemente convencido disso ao ver um sem-fim de casos em que o agressor se fez de sonso ‚Äď √© que, ao que parece, as pessoas precisam de tudo bem definidinho. Tem gente que acha que perseguir negros n√£o pode, mas perseguir gays pode. N√£o, n√£o pode. Toda a discuss√£o em torno do PL122 evoca argumentos que s√£o exatamente os mesmos dos anos 80, quando se idealizou a lei contra o racismo. Os que eram contra esta lei afirmavam que se tratava de um ‚Äúprivil√©gio‚ÄĚ, de uma ‚Äúprote√ß√£o diferenciada‚ÄĚ. Bem, se a interpreta√ß√£o √© esta, s√≥ me resta responder que isso se fez necess√°rio porque a sociedade fez por merecer.

Vejam esta not√≠cia: V√īlei: Atleta gay sofre com homofobia e clube aciona o STJD

Digamos que o jogador fosse negro, e não gay. E que as ofensas proferidas fossem macaco, preto fedido, chimpanzé.

Por que isso seria ‚Äúmais grave‚ÄĚ do que ofender o jogador, homossexual que √©, num coro geral que brada ‚Äúbicha, bicha‚ÄĚ?

Se surgiu a necessidade de altera√ß√Ķes espec√≠ficas na lei antidiscrimina√ß√£o para incorporar ‚Äúhomofobia‚ÄĚ, √© porque ‚Äď ao que parece ‚Äď muita gente ainda acha que este tipo de preconceito √© permitido e tolerado.

Enquanto isso, em outros pa√≠ses, a coisa √© diferente. J√° ficou entendido que n√£o se pode agredir moralmente um grupo, qualquer que seja, e sair inc√≥lume.¬†Na Inglaterra, a pol√≠cia est√° √† procura de um rapaz que cola adesivos homof√≥bicos pela cidade.¬†Ser√° a Inglaterra um pa√≠s que cerceia a liberdade de express√£o? Ou n√≥s √© que ainda n√£o entendemos o que isso significAlguns otimistas dizem que o fato de o CQC ter exposto Bolsonaro na TV foi um bem. Dizem os otimistas que isso exp√īs o preconceito do deputado. Voc√™s acham que isso far√° com que ele perca votos? Eu n√£o duvido que venha mesmo a perder. Mas na medida em que ele se d√° ao direito de chamar os outros de bichas, viados e declarar que homossexuais s√£o doentes e prom√≠scuos, na medida em que ele diz o que diz e sai impune, d√° um p√©ssimo exemplo para o povo brasileiro. E o resultado √© esta onda de √≥dio que ora se levanta. Ou voc√™s acham que n√£o existe rela√ß√£o entre o s√ļbito ataque moral realizado contra o jogador de v√īlei e o epis√≥dio envolvendo Bolsonaro? Pode ser coincid√™ncia, claro. Infelizmente, acho que n√£o √©. Bolsonaro abriu o precedente para que todos se sintam confort√°veis para urrar, numa s√≥ voz, com toda sensa√ß√£o de seguran√ßa deste mundo: bicha, viado, frutinha.

N√£o alcan√ßamos o ideal dos Direitos Humanos por meras criminaliza√ß√Ķes. Mas a criminaliza√ß√£o tem, sim, importante valor educativo. At√© imagino que uns e outros que leiam este texto sejam racistas, e nada neste mundo pode modificar o que se passa na mente de uma pessoa se ela n√£o quiser. Duvido, entretanto, que com todo o racismo que tenham, cometam a imprud√™ncia de xingar um negro de ‚Äúmacaco‚ÄĚ.

H√° os que argumentam que isso √© uma ‚Äúditadura do politicamente correto‚ÄĚ. Falam isso at√© sentirem na pele. Na real, falar contra procedimentos politicamente corretos nada mais √© do que pleitear o direito de dizer babaquices. E ent√£o voc√™ sustenta o direito de se referir pejorativamente a outros seres humanos, at√© que acontece contigo o que ocorreu com Diogo Mainardi: teve um filho com problemas cerebrais. Cito, ent√£o, um trecho da revela√ß√£o filos√≥fica vivenciada por Mainardi:


A paralisia cerebral de meu filho tamb√©m me fez compreender o peso das palavras. Eu achava que as palavras eram inofensivas, que n√£o precisavam de explica√ß√Ķes, de intermedia√ß√Ķes. Para mim, o politicamente correto era puro folclore americano. J√° n√£o penso assim. Paralisia cerebral √© um termo que d√° medo. √Č associado, por exemplo, ao retardamento mental. Eu n√£o teria problemas se meu filho fosse retardado mental. Minha opini√£o sobre a intelig√™ncia humana √© t√£o baixa que n√£o vejo muita diferen√ßa entre uma pessoa e outra. S√≥ que meu filho n√£o √© retardado. E acho que n√£o iria gostar de ser tratado como tal.

Nada mais a dizer. Onde a lógica se revela insuficiente, a vida ensina.

Texto inicialmente postado no blog Devir

Leia Mais Em:

http://www.plc122.com.br/homofobia-racismo/#ixzz2BliaeY5y

Lançamento, na sede da ONU em Nova York,

a Campanha Livres e Iguais no Brasil

‚ąě

____________________________

‚ÄúA homofobia e a transfobia constituem esp√©cies do g√™nero racismo, na medida em que racismo √© toda ideologia que pregue a superioridade/inferioridade de um grupo relativamente a outro (a homofobia e a transfobia implicam necessariamente na inferioriza√ß√£o da popula√ß√£o LGBT relativamente a pessoas heterossexuais ‚Äď que se identificam com o pr√≥prio g√™nero)‚ÄĚ ¬†– ¬†Adv.¬†Paulo Roberto Vecchiatti.

_____________________________________________________________

M√ÉE CONTA HIST√ďRIA REAL DE FILHO GAY MORTO EM ‚ÄúS√ď POR ELE¬†RESPIRAR‚ÄĚ.

___________________________

A história da homossexualidade e a luta pela dignidade

Durante décadas, com base em teorias científicas diversas, a homossexualidade foi considerada uma doença mental e os gays, submetidos aos mais absurdos tratamentos. Somente em 1990 a OMS a retirou da condição de patologia

Texto Cl√°udia de Castro Lima | Design Villas | 13/11/2012 17h15

No outono de 1933, o campo de concentra√ß√£o nazista de Fuhlsbuttel, no norte de Hamburgo, na Alemanha, foi o primeiro a come√ßar a receber uma nova categoria de presos. Mal desciam dos trens, eram marcados com a letra A, mais tarde substitu√≠da por um tri√Ęngulo cor-de-rosa. Diferentemente de suas inten√ß√Ķes em rela√ß√£o aos judeus e ciganos, os soldados nazistas n√£o pretendiam exterminar os homossexuais. Queriam “cur√°-los”. Para isso, os prisioneiros foram submetidos a alguns tratamentos bizarros e cru√©is – de acordo com a teoria cient√≠fica vigente √† √©poca, a homossexualidade era uma patologia mental.

DsiH9ExXoAA4ika

Nos campos de concentra√ß√£o da Alemanha nazista, os homossexuais tinham os piores trabalhos e eram vistos como doentes e pervertidos at√© pelos demais confinados. No campo de Flossenb√ľrg, os nazistas abriram uma casa de prostitui√ß√£o e for√ßavam os homossexuais a visit√°-la. Os gays que se “curavam” eram enviados por “bom comportamento” para uma divis√£o militar para combater os russos. Outro tratamento oferecido aos homossexuais foi elaborado pelo endocrinologista nazista holand√™s Carl Vaernet. Ele castrou seus pacientes no campo de Buchenwald e depois injetou doses muito altas de horm√īnios masculinos, para observar sinais de “masculiniza√ß√£o”. Estima-se que 55% dos gays que entraram nos campos de concentra√ß√£o morreram – algo entre 5 mil e 15 mil pessoas. O fim da guerra, no entanto, n√£o trouxe alento. Americanos e brit√Ęnicos for√ßaram os homossexuais a cumprir o restante da pena que os nazistas tinham imposto a eles em pris√Ķes normais.

Em um campo de concentra√ß√£o, nazistas abriram um local para auxiliar na “cura” dos gays. Um dos tratamentos “cl√≠nicos” era a lobotomia

As teorias cient√≠ficas que classificaram a homossexualidade como doen√ßa come√ßaram a despontar na Europa no fim do s√©culo 19. Somente um s√©culo depois, a Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde retirou-a do Manual de Diagn√≥stico e Estat√≠stica dos Dist√ļrbios Mentais, que a classificava como desvio ou pervers√£o – assim, aboliu o termo “homossexualismo”, j√° que “ismo”, em sa√ļde, √© um sufixo que caracteriza condi√ß√£o patol√≥gica. A a√ß√£o, tardia, foi resultado de uma dura e dolorosa briga pelos direitos dos homossexuais. De h√°bito cultural na Antiguidade, a condi√ß√£o homossexual virou pecado na Idade M√©dia, crime na Moderna e patologia (com direito a tratamentos que inclu√≠am choques el√©tricos e lobotomia) at√© pouco tempo atr√°s.No come√ßo do s√©culo 19, o homossexual era tratado ao mesmo tempo como um anormal e um pervertido. “A medicina, desde o fim do s√©culo 18, tomou emprestada a concep√ß√£o clerical da homossexualidade e esta se tornou uma doen√ßa, ou melhor, uma enfermidade que um exame cl√≠nico podia diagnosticar”, afirma o historiador medievalista Philippe Ari√®s.”Em meados de 1850, m√©dicos europeus come√ßaram a pesquisar sobre a homossexualidade, o que aos poucos deu ensejo a uma nova percep√ß√£o de que a condi√ß√£o era relativamente end√™mica a certos indiv√≠duos e (segundo o julgamento da maior parte dos especialistas) patol√≥gica”, afirma Peter Stearns em seu livro Hist√≥ria da Sexualidade. “Cada vez mais, cientistas argumentavam que a homossexualidade era um tra√ßo de car√°ter que se desenvolvia como resultado de alguma falha na educa√ß√£o infantil.” Acompanhando o discurso da ci√™ncia, o m√©dico austro-h√ļngaro Karoly Maria Benkert criou o termo “homossexualidade” para designar todas as formas de rela√ß√£o carnal entre pessoas do mesmo sexo. No fim do s√©culo 19, m√©dicos criaram a sexologia. Seus trabalhos foram influenciados pelas teorias de um psiquiatra austr√≠aco, Richard Von Krafft-Ebing, que a considerava uma tara ou uma degenera√ß√£o. Em seu livro Psychopathia Sexualis, publicado em 1886, listou todas as formas poss√≠veis de pervers√£o, numa esp√©cie de cat√°logo – a homossexualidade, claro, constava dele.

Em 1969, a pol√≠cia de Nova York invadiu o bar Stonewall Inn, frequentado por homossexuais, e prendeu 200 pessoas. Foi recebida na rua com pedras e garrafas. Era o in√≠cio do “Gay Power”

Foi no meio dessa turbul√™ncia que um caso tornou-se emblem√°tico na hist√≥ria dos direitos dos homossexuais: o do escritor e dramaturgo irland√™s Oscar Wilde. Casado e pai de dois filhos, Wilde teve v√°rias rela√ß√Ķes com homens e apaixonou-se por Alfred Douglas, filho do marqu√™s de Queensberry. Os dois conheceram o submundo homossexual de Londres, que frequentavam para satisfazer suas predile√ß√Ķes por jovens da classe oper√°ria. O pai de Alfred Douglas acusou Wilde e o filho de manterem uma “rela√ß√£o repugnante e chocante”. O dramaturgo processou o marqu√™s por difama√ß√£o, s√≥ que o processo virou-se contra ele. Citado por sodomia com pelo menos dez jovens, acabou declarado culpado por atentado ao pudor e condenado a dois anos de trabalhos for√ßados.

“Tratamentos” para o homossexualismo n√£o tardaram a surgir. Hipnose, castra√ß√£o e terapias reparativas para alterar as prefer√™ncias e desejos dos pacientes foram tentadas. Uma terapia usada era a lobotomia – cirurgia que retirava uma parte do c√©rebro. Na Alemanha Ocidental, elas s√≥ deixaram de ser aplicadas em 1979. Na Dinamarca, o n√ļmero de pessoas submetidas √† opera√ß√£o foi de 3,5 mil, sendo a √ļltima em 1981. Nos EUA, as v√≠timas chegam √† casa das dezenas de milhares.

A situa√ß√£o come√ßou a ser revertida s√≥ na √ļltima metade do s√©culo 20. Em 28 de junho de 1969, detetives √† paisana entraram no bar Stonewall Inn, em Nova York, e expulsaram cerca de 200 clientes gays de l√°. Ao sa√≠rem do bar com os presos, foram recebidos na rua por uma multid√£o revoltada com a frequ√™ncia dos abusos, que atirou pedras e garrafas. Os dist√ļrbios de Stonewall deram origem ao “Gay Power” e marcaram o in√≠cio dos protestos p√ļblicos contra a discrimina√ß√£o de homossexuais.

“As manifesta√ß√Ķes sozinhas n√£o seriam lembradas hoje por transformar pol√≠ticas e vidas gays se n√£o fossem seguidas por organiza√ß√Ķes que transformaram a afronta pura em for√ßa social cont√≠nua”, afirma a jornalista Sherry Wolf em Sexuality and Socialism: History, Politics and Theory of LGBT Liberation (in√©dito em portugu√™s). Os ativistas perceberam ser preciso organiza√ß√£o para combater a homofobia – um dos pontos principais era fazer com que as pessoas n√£o tivessem mais medo ou vergonha de sair do arm√°rio. V√°rios protestos foram marcados, criaram-se grupos ativistas e jornais com propostas gays, como Come Out! e Gay Power, para expressar o desejo de uma imprensa independente e militante. Em junho de 1970, as primeiras marchas do orgulho gay aconteceram em Los Angeles, S√£o Francisco, Chicago e Nova York. Uma das principais vit√≥rias aconteceu em 1970, quando o cofundador dos Panteras Negras, Huey Newton, expressou publicamente seu apoio ao movimento pr√≥-gay – era a primeira vez que um movimento ativista majoritariamente heterossexual fazia isso. Os homossexuais comemoraram ainda mais quando, em 1973, a Associa√ß√£o de Psiquiatria Americana desclassificou a homossexualidade como patologia. Os danos que as chamadas “terapias de revers√£o” causavam aos pacientes foram trazidos √† tona.

O professor do departamento de Psicologia Cl√≠nica da Unesp Fernando Silva Teixeira Filho aponta para pessoas como o pol√≠tico e ativista Harvey Milk como decisivas na luta contra o preconceito. “Milk estabeleceu princ√≠pios claros de luta: a busca por direitos iguais a todos os seres humanos, independentemente de orienta√ß√£o sexual ou credo”, afirma.

Em 1981, o Conselho Europeu emitiu uma resolu√ß√£o exortando seus membros a descriminalizar a homossexualidade. Em 1990, a Organiza√ß√£o Mundial de Sa√ļde declarou que “a homossexualidade n√£o constitui doen√ßa, nem dist√ļrbio e nem pervers√£o”. Tr√™s anos depois, a nova classifica√ß√£o entrou em vigor nos pa√≠ses-membros nas Na√ß√Ķes Unidas. No Brasil, deixou de ser tratada por psic√≥logos em 1999. Na contram√£o, os autointitulados “psic√≥logos de Cristo” se prop√Ķem a “curar” gays . E h√° projetos de lei como o do deputado Jo√£o Campos (PSDB-GO), que pretende sustar dois artigos da lei cujo texto pro√≠be os psic√≥logos de emitir opini√Ķes p√ļblicas ou tratar a homossexualidade como doen√ßa. A C√Ęmara dos Deputados discutiu em junho pela primeira vez o projeto de “cura gay”.

Harvey Milk e s√£o francisco

Como um dono de loja ajudou a tornar a cidade porto seguro para homossexuais

mi_5547527689287003

S√£o Francisco √© conhecida por ser o “para√≠so gay” mundial. A descoberta de ouro a partir de 1848 fez o vilarejo portu√°rio transformar-se radicalmente. Mais de 300 mil homens chegaram de toda parte e 90% da popula√ß√£o do local passou a ser masculina. “A preserva√ß√£o da virtude e dignidade era um esfor√ßo t√£o desanimador quanto uma colina de S√£o Francisco”, escreve William Lipsky, autor de Gay and Lesbian San Francisco (sem vers√£o em portugu√™s). “Com poucas mulheres na cidade e menos ainda nas minas, os homens olharam uns para os outros para buscar todo tipo de conforto.” Os poucos saloons, pens√Ķes e clubes ficavam lotados de homens, que viviam muito pr√≥ximos uns dos outros e ainda tinham de dividir todo tipo de intimidade, do banheiro aos cobertores. A popula√ß√£o gay de S√£o Francisco sofreu impacto semelhante mais tarde outra vez, com a Segunda Guerra. Na √©poca, todo militar americano suspeito de ser homossexual era enviado para a cidade, para ser avaliado por uma junta que decidiria se ele continuaria ou n√£o na carreira. Entre 1941 e 1945, quase 10 mil gays e l√©sbicas foram dispensados do servi√ßo militar – e muitos ficaram por l√°. Criaram assim, perto da ba√≠a, uma vizinhan√ßa gay friendly. Durante a d√©cada de 1970, muitos gays abriram neg√≥cios no bairro de Castro. Foi quando despontou a figura de Harvey Milk. O judeu nascido em Nova York, ex-oficial da Marinha e analista de seguros em Wall Street, mudou-se para S√£o Francisco em 1972 decidido a n√£o esconder mais sua homossexualidade. Abriu uma loja de fotografia no bairro, envolveu-se com quest√Ķes sociais, descobriu a voca√ß√£o pol√≠tica e conseguiu, em 1977, eleger-se para o Comit√™ de Supervisores de S√£o Francisco – o primeiro pol√≠tico abertamente homossexual a ser eleito. Foi assassinado por um colega homof√≥bico junto com o prefeito da cidade, George Moscone.

Os gays no Brasil

No país, 10,4% dos homens são homo ou bissexuais e 6,3% das brasileiras são lésbicas ou bissexuais (fonte: Carmira Abdo/IUSP)

O crime por sodomia j√° era previsto em lei desde o Descobrimento, segundo as Ordena√ß√Ķes Manuelinas, que vigoravam em Portugal: era comparado ao de lesa-majestade, segundo o jornalista, dramaturgo e cineasta Jo√£o Silv√©rio Trevisan em seu livro Devassos no Para√≠so. O c√≥digo seguinte, as Ordena√ß√Ķes Filipinas, que durou at√© o Imp√©rio, previa que os homossexuais fossem queimados e seus bens, confiscados. Como ocorreu no resto do mundo, as teorias higienistas atingiram o Brasil no s√©culo 19. Avalia√ß√Ķes supostamente cient√≠ficas come√ßaram a ser produzidas por aqui. O jurista Jos√© Viveiros de Castro relacionou na √©poca, por exemplo, as poss√≠veis causas da “anomalia”: “loucura er√≥tica” resultante de psicopatias sexuais, falhas heredit√°rias no desenvolvimento glandular, vida insalubre, alcoolismo e excesso de masturba√ß√£o eram algumas. O pa√≠s reconhece a uni√£o civil homossexual desde 2004 e, h√° dois anos, permite a ado√ß√£o de crian√ßas por casais do mesmo sexo. Transg√™neros podem mudar de sexo legalmente. Mas o casamento homossexual √© proibido e os gays ainda s√£o v√≠timas de agress√£o f√≠sica no pa√≠s por causa de sua op√ß√£o sexual.

Saiba mais

Livro

História da Sexualidade, Peter Stearns, Contexto, 2010

________

A evolu√ß√£o hist√≥rica da intoler√Ęncia a

homossexualidade

Muitos instrumentos, ao longo dos anos, foram criados para garantir a integridade física e moral do ser humano, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a declaração da UNESCO. No entanto, em pleno século 21 ainda se assiste cenas de barbárie praticadas contra o homem, além da perversa violação de seus direitos fundamentais.

No Brasil, a viol√™ncia praticada contra homossexuais √© alarmante, revelando um n√ļmero assustador de crimes praticados nos √ļltimos anos contra essa popula√ß√£o, colocando-nos como campe√£o mundial em homic√≠dios de homossexuais, onde, para cada cinco gays ou transg√™neros mortos no mundo, quatro s√£o brasileiros, o que coloca o pa√≠s no topo dos pa√≠ses mais homof√≥bicos do mundo. [ Amplie seu estudo¬†]

_________________________

A HIST√ďRIA DA HOMOSSEXUALIDADE

____________________________

A História dos Direitos Humanos

____________________________

Documentário Sobre Preconceito

____________________________

Curta-metragem “desENCAIXE”

Curta-metragem produzido pela Profa.Drª Edlene Oliveira Silva do Departamento de História da Universidade de Brasília РUnB que discute homossexualidade na escola.

 ___

Héteros também são alvos da homofobia,

mostra estudo

No Brasil, o preconceito contra homossexuais atinge não apenas os gays, mas também os héteros, sugere uma pesquisa. 

O estudo, conduzido por pesquisadores do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, concluiu que a homofobia, aqui, está ligada ao modo como as pessoas percebem as diferenças entre homens e mulheres. Isso quer dizer que, independentemente da orientação sexual, são as roupas, os trejeitos e os estereótipos de masculino e feminino que suscitam os preconceitos dos brasileiros.

O trabalho √© baseado na disserta√ß√£o de mestrado de um de seus autores, Angelo Brandelli Costa. De acordo com ele, que √© doutorando em psicologia, a ideia foi criar um instrumento para avaliar a homofobia no caso brasileiro, “n√£o simplesmente importando o conceito do contexto americano, onde ele foi criado”.

Segundo Costa, as conclus√Ķes da an√°lise foram utilizadas para criar um novo instrumento de pesquisa sobre preconceito, que j√° est√° sendo utilizado no Rio Grande do Sul.

Os pesquisadores compilaram uma s√©rie de artigos sobre homofobia no Brasil publicados entre 1973 e 2011. Os artigos foram selecionados em diversas bases de dados acad√™micas a partir de palavras-chave como “homofobia”, “preconceito”, “discrimina√ß√£o” e “Brasil”. Dentre os que foram encontrados, os pesquisadores selecionaram somente aqueles baseados em estudos emp√≠ricos feitos no pa√≠s.

Embora os trabalhos tivessem metodologias e bases diferentes, da an√°lise dos artigos os pesquisadores puderam concluir que a homofobia –ou ainda o preconceito contra qualquer orienta√ß√£o que n√£o a heterossexual– √© um fen√īmeno disseminado no pa√≠s e se faz presente em v√°rios contextos, como no ambiente escolar ou nas rela√ß√Ķes de trabalho.

De acordo com a pesquisa, a homofobia no Brasil tem forte vínculo com o sexismo (discriminação baseada no sexo ou gênero) e o preconceito contra o não conformismo às normas de gênero (mulheres que têm comportamento considerado masculinizado, por exemplo).

Isso significa que homossexuais que tenham caracter√≠sticas consideradas compat√≠veis com seu sexo anat√īmico tendem a sofrer menos preconceito do que mulheres masculinizadas ou homens com trejeitos femininos.

Assim, mesmo uma pessoa heterossexual pode ser alvo de homofobia. “Se um menino n√£o gostar de jogar futebol ou n√£o adotar algum comportamento esperado [de algu√©m do sexo masculino], vai ser chamado de ‘bicha’ pelos colegas mesmo que seja heterossexual”, exemplifica.

Por esse motivo, o pesquisador acredita que, para que sejam eficazes, as a√ß√Ķes contra a homofobia devem ter como alvo tamb√©m o sexismo.

De acordo com o pesquisador, os artigos n√£o indicam que, no Brasil, o preconceito contra n√£o-heterossexuais esteja se tornando mais sutil. “O preconceito expl√≠cito ainda √© muito forte, a pessoa n√£o se sente obrigada a esconder [o preconceito], como acontece com o racismo.”

Fonte: Folha de S√£o Paulo

_____________________________________________________________________________

VIOLÊNCIA DOMESTICA NA POPULAÇÃO

HOMOSSEXUAL E OS DOGMAS RELIGIOSOS

Cuiab√°, MT. A viol√™ncia entre casais gays tem sido um prato cheio para imprensa. Em Mato grosso, no √ļltimo dia 15, o infort√ļnio da hist√≥ria de Paulo Medina foi compartilhado com o mundo atrav√©s da internet. Ele, homossexual assumido, diretor de uma importante Companhia de Dan√ßa de Cuiab√° foi morto dentro de sua casa por homem com quem mantinha com um relacionamento afetivo. Os amigos e parentes da v√≠tima contestaram o tratamento dado pela imprensa ao caso.

Pelo Facebook, a usu√°ria Manu Manu disse: ‚ÄúAs m√≠dias ontem relataram o crime e me envergonho pela forma como a m√≠dia relatou o acontecido e principalmente os coment√°rios dos leiotores tremendamente preconceituosos: ‚Äúmorreu porque era bicha… Morreu porque era prom√≠scuo. …Orienta√ß√£o sexual n√£o revela car√°ter de ningu√©m. Tio Paulo para os √≠ntimos, ou Paulo Medina era uma das pessoas mais generosas e carinhosas que conheci em minha vida‚ÄĚ, desabafou a amiga.

O que esta de tr√°s desse tipo not√≠cia? Empresas manipulando informa√ß√Ķes p√ļblicas sobre a vida privadas das pessoas em busca da audi√™ncia e do lucro, exibindo os detalhes s√≥rdidos e ajudando a solidificar o estere√≥tipo de que os ‚Äúgays s√£o desajustados sociais‚ÄĚ.¬†¬†

N√£o √© a primeira vez que um gay √© morto pelo seu parceiro. E crimes entre casais gays acontecem com menos frequ√™ncia do quem entre casais heteros, principalmente no √Ęmbito dom√©stico. N√£o existem dados espec√≠ficos, mas segundo o Mapa da Viol√™ncia, escrito por Julio Jacobo Waiselfisz, em 2012 os assassinatos em ambiente dom√©sticos entre os homens somam 14,3%. J√° entre as mulheres, a taxa sobe para 41%.¬†¬†¬†

E a desgra√ßa maior √© ver como algo concreto, tang√≠vel como um assassinato se torna mecanismo abstrato que ajuda a fortalecer o poder exercido pela m√≠dia a favor do sistema pol√≠tico, econ√īmico e social brasileiro. Ora, o que podemos esperar de um pa√≠s controlado por evang√©licos fundamentalistas e de latifundi√°rios loucos por dinheiro?¬†¬†

Falar em criminaliza√ß√£o dos gays, poder e influ√™ncia da m√≠dia e da politica e n√£o falar das rela√ß√Ķes familiares √© como falar da chuva sem considerar as nuvens Segundo dados do IBGE, a popula√ß√£o evang√©lica √© segunda maior do pa√≠s, s√£o mais de 43 milh√Ķes de pessoas. E o que fazer quando minha igreja diz que meu filho √© um doente e que nele habita o pr√≥prio diabo?

Os dogmas religiosos levam a cr√™ que a homossexualidade seja uma condi√ß√£o pecadora que gera infort√ļnios a toda sociedade. Dessa forma o filho ou filha gay deve se converter ou deve esconder sua homossexualidade para criar um falso clima de paz¬†que pode durar a vida toda ou pode ser escancarado amanh√£ na p√°gina do jornal da sua cidade.¬†

Escrito por Rizza Matos

_______________

A HOMOFOBIA

A homofobia, segundo Daniel Borrillo, √© um resultado da hierarquia entre sexualidades. N√£o √© resultado da hierarquia de g√™neros. Nenhum homem gay √© lido pela cultura como ”mulher”. Nem mesmo o mais afeminado dos homens. Ele ser√° lido como um ”homem que deseja ser uma mulher” ou ”quer ocupar o lugar da mulher”. O homem gay √© um desertor do g√™nero, um traidor da masculinidade hegem√īnica e um desviante. Em virtude de ser portador de uma masculinidade subalterna, ele √© recha√ßado e odiado. Este √© o vi√©s do sexismo atuando na homofobia. N√£o existe ”misoginia por procura√ß√£o”. Somente mulheres ou pessoas lidas como mulheres sofrem o impacto da misoginia. Este vi√©s sexista na homofobia entretanto, n√£o √© tudo que h√° para se falar sobre ela.

Homofobia tamb√©m √© o medo hist√©rico de heterossexuais que surge em fun√ß√£o da sua cultura pensar a homossexualidade como se ela fosse uma imagem invertida de si mesmos; a antiga express√£o m√©dica ”invertido” para se referir a gays aponta neste sentido. Em outras palavras, do ponto de vista da cultura heterossexista, existe apenas a heterossexualidade, apenas as rela√ß√Ķes entre homem e mulher s√£o ontol√≥gicas. Neste contexto, a homossexualidade √© a ”invers√£o” desta realidade. Isso provoca √≥dio e o medo de que outros ”heterossexuais” possam se contaminar tamb√©m, ”mudar” sua natureza, ou a natureza dos seus filhos.

Evid√™ncia disso √© a ret√≥rica antigay revelada durante a proibi√ß√£o do kit de combate √† homofobia nas escolas. O kit foi chamado de ”kit gay” e se dizia que seu objetivo era ”ensinar as crian√ßas a serem gays”. A fala da presidenta da rep√ļblica no per√≠odo refor√ßou essa cren√ßa err√Ķnea ao declarar que ”o governo n√£o faria propaganda de op√ß√Ķes sexuais”, uma ideia similar √† lei Russa que pro√≠be ”propaganda gay”.

Homens gays s√£o criados dentro de uma cultura que os odeia e os ensina a odiar-se. Mesmo gays ativistas t√™m demonstrado sintomas de homofobia internalizada. Observe o desconforto de muitos gays com a ideia de uma ”cultura gay”, ou um ”meio gay”. E isso n√£o se aplica apenas aos ”gays armariados”. √Č raro uma minoria sentir tanto pavor do pr√≥prio gueto quanto as pessoas homossexuais.
O ”gueto” para os gays √© em si um sinal de degenera√ß√£o, e muitos se orgulham de ter amizades apenas com pessoas heterossexuais.

Uma mat√©ria na internet sobre a possibilidade da funda√ß√£o de uma na√ß√£o gay provocou coment√°rios escandalizados de v√°rios gays; um deles em especial afirmou que viver num pa√≠s s√≥ de gays ”seria um horror”.
√Č poss√≠vel que mesmo tendo superado o √≥dio por si mesmos, muitos gays continuem odiando a homossexualidade nos outros.

Ao rastrear as origens da homofobia internalizada √© necess√°rio nunca esquecer da cultura que faz nascer esta homofobia em primeiro lugar; a cultura hegem√īnica e heterossexista, a cultura que nos √© imposta desde que nascemos. ”Religi√£o” √© apenas um vetor de ”cultura”. Esquecer-se desse detalhe far√° com quem a pessoa conviva com outras manifesta√ß√Ķes cuturais homof√≥bicas sem maiores preocupa√ß√Ķes, dado que pensar√° que toda a homofobia est√° ”aprisionada” no vetor religi√£o.
A homofobia est√° tamb√©m nas artes, nas representa√ß√Ķes discursivas, na pol√≠tica, nas institui√ß√Ķes e nas ideologias.

Escrito por Walter Silva

 


M√ļsica de Cindy Gomez em homenagem a jovem¬†gay morto¬†em 2009 | Grupo HPM

5 coment√°rios em “70 ANOS DA DECLARA√á√ÉO UNIVERSAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DA PESSOA HUMANA

  1. eu sou contra
    o preconseito

  2. Essa treta precisa ser divulgada para conscientizar o povo. Conheça.
    Treta #15 – Homofobia

  3. A criminaliza√ß√£o da Homofobia J√Ā!

  4. eu sou totalmente contra a homofobia

Deixe um coment√°rio

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Voc√™ est√° comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Voc√™ est√° comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Voc√™ est√° comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Voc√™ est√° comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s