HM – 2018 /2017

 

_________  2018 ________________

NÚMEROS DE UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA

Dados parciais do períodode jan-out/2018

Eduardo Michels

O site Homofobia Mata em parceria com a Ong GGB registrou, com ajuda de militantes, simpatizantes e outros colaboradores espalhados pelo país, 347 casos de homicídios de pessoas LGBT. Casos amplamente noticiados pela mídia convencional (jornais, televisões, rádios) e as redes sociais (Facebook, Whatsapp, Instagram), apesar de reconhecermos ainda a existência da subnotificação e, em certa medida as críticas acerca da categorização de tais casos enquanto vítimas de homofobia, posto não teremos nos primeiros dias, meses e até anos a identificação da autoria e a motivação, apesar disso, sabemos pela experiência de mais de 40 anos de luta em prol dos direitos humanos, o quanto a cultura machista se manifesta através de tais atos, mesmo quando não se visualiza tais indícios, mas uma transexual ou travesti alvejada em áreas de prostituição dá conta de uma homofobia estrutural, ou seja, estar na prostituição nem sempre é uma escolha, mas uma necessidade de sobrevivência, especialmente para aquelas trabalhadoras que tiveram fechadas as oportunidades de estudar, de se qualificar e adentrar o mercado de trabalho formal.

Os dados dão conta de 34,7 casos por mês, entre janeiro e outubro de 2018, ou uma média de 1,15 casos por dia. Tragédia sempre denunciada pelo site homofobiamata.wordpress.com, mostrando as execuções contínuas em território nacional, e apesar de todo o clamor da militância, dos familiares e amigos, os casos continuam a acontecer de forma perene.

O Gráfico 2 permite-nos observar a dispersão dos casos de homicídios de LGBT no Brasil, entre janeiro e outubro de 2018, quando se visualiza um fenômeno ativo, com a tendência de crescimento, retração e novamente ascensão sem uma causa aparente, por isto, a necessidade do monitoramento, implementação de políticas públicas de enfrentamento (tanto de segurança pública, quanto de combate as vulnerabilidades sociais). Além de investimentos em investigação científica, melhor divulgação das estratégias de sobrevivência junto à população LGBT, por não existir um arquétipo em que se possam fincar as bases de uma política de prevenção, em outras palavras, qualquer homossexual pode ser vítima de violência ou homicídio, no Brasil.

Os dados organizados por mês e distribuídos ao longo do ano dão conta de uma tragédia, mas aproximando a lente para cada um dos episódios é possível visualizar a violência e a criminalidade em nossa sociedade, com relação à desigualdade social, o tráfico de drogas, o ódio, enfim, os motivos para tais crimes estão estampados nos jornais, nos processos judiciais, nos Tribunais do Júri, ou mesmo no silêncio a impor o esquecimento para a maioria das vítimas, se nada for feito e não haver uma resposta mais contundente do Estado e da sociedade.

O chamamento à luta não é apenas dos LGBT, mas de toda a sociedade por respostas concretas em prol da vida e pela cultura de paz e, para isto é necessário investimentos em segurança pública, com policiais capacitados para elucidar e uma sociedade ávida por imprimir a justiça, pois de nada adianta levar ao banco dos réus e o Tribunal do Júri absolver, quando as provas são contundentes quanto à autoria. Além disso, a escola deverá incluir em seus currículos o respeito e o convívio com as diferenças, como premissa básica da vida em uma sociedade democrática e isto não significa ideologia de gênero, pois é o mínimo a ser esperado numa sociedade republicana, onde há de fato a defesa das minorias, sem a pecha do vitimíssimo.

A tragédia sob a qual os LGBT convivem ao longo das três últimas décadas não pode ser uma fatalidade, o futuro deverá ser de uma sociedade para todos, ou mais especificamente, ninguém seja vítima de ódio, escarnio ou desaprovação social devida a sua orientação sexual, posto ser mais importante à participação cidadã e, as estatísticas atuais de homicídios de LGBT seja apenas uma lembrança triste de um passado a nunca mais se repetir.

 

_________  2017 _________

Em 2017 foi o ano com o maior número de assassinatos da população LGBT desde o início da pesquisa, há 37 anos, aproximadamente a cada 19 horas, um LGBT morre de forma violenta por motivação homotransfóbica no Brasil. Fruto também de um levante conservador que contamina a população com discursos impregnados de ódio, e que a todo custo quer nos aniquilar e calar nossa voz. Os números são contabilizados pelo site Homofobia Mata.

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BRASIL AMARGA A LIDERANÇA DO RANKING DE

CRIMES CONTRA LGBT NO MUNDO

O site Homofobia Mata organiza essas informações há quase uma década e os registros têm aumentado nos últimos anos. Só no ano passado, 343 gays, lésbicas e travestis foram mortos, a maioria com requintes de crueldade, segundo o nosso relatório anual de 2016. Em 2017 já foram contabilizados 445 mortes documentados em nosso site

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VÍTIMAS DO TERROR HOMOTRANSFOBICO

NO BRASIL

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MORTE POR HOMOFOBIA NO BRASIL

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